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Povos e Territórios

MPF oficializa inquérito para combater fome na Aldeia Kamay em São José do Xingu

Procuradoria quer tirar do papel projeto piloto que une Conab, Embrapa e Funai para garantir segurança alimentar ao povo Juruna

Rogerio FlorentinoPor Rogerio Florentino horário de Cuiabá 3 min de leitura WhatsApp
Insegurança alimentar na Aldeia Kamay

O Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso endureceu o tom na fiscalização de políticas públicas voltadas aos povos originários. Nesta quinta-feira (8), o órgão oficializou a conversão de um procedimento preparatório em Inquérito Civil para apurar, com lupa, a grave situação de insegurança alimentar que atinge a Aldeia Kamay, do povo Juruna, localizada no município de São José do Xingu.

A medida não é apenas burocrática; ela eleva o status da investigação. Agora, o foco central é monitorar se as promessas estatais sairão do papel. O procurador da República Guilherme Fernandes Ferreira Tavares, que assina a portaria, determinou a verificação imediata da “viabilidade de implementação de projeto piloto em parceria entre CONAB, EMBRAPA e FUNAI”.

Ação coordenada contra a escassez

A decisão ocorre em um momento crítico, onde a simples distribuição de cestas básicas já não resolve o problema estrutural da fome nas comunidades. O texto da portaria destaca a necessidade de “apurando as ações públicas voltadas à superação do problema”.

Para o MPF, a articulação entre a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) é a chave para uma solução duradoura. O objetivo é criar um modelo autossustentável que possa, futuramente, servir de exemplo para outras comunidades.

O peso da lei

A conversão para Inquérito Civil permite que o MPF requisite perícias, documentos e depoimentos com prazos mais rígidos. O procurador fundamentou a decisão na Constituição Federal, lembrando que cabe ao órgão “zelar pelo efetivo respeito aos direitos e interesses sociais e individuais indisponíveis”.

Além disso, o documento reforça a competência da Justiça Federal para “processar e julgar disputa sobre direitos indígenas”, sinalizando que, se as medidas administrativas falharem, o caso pode parar nos tribunais.

Próximos passos

Com a instauração do inquérito vinculado à 6ª Câmara de Coordenação e Revisão, novas diligências já foram ordenadas. O despacho determina que “sejam cumpridas as diligências lançadas no despacho (…) por meio do qual são indicados quais os elementos de prova devem ser requisitados neste momento”.

A pressão agora recai sobre os órgãos federais. A expectativa é que o projeto piloto de segurança alimentar na Aldeia Kamay saia do campo das ideias e leve comida, de fato, à mesa do povo Juruna.

Para entender melhor:

  • Inquérito Civil: É uma investigação administrativa conduzida pelo Ministério Público. Serve para colher provas e elementos de convicção antes de decidir se é necessário entrar com uma ação judicial (Ação Civil Pública).

  • Segurança Alimentar: Vai além de não passar fome; é o direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer outras necessidades essenciais.

  • Juruna (Yudjá): Povo indígena que habita principalmente o Parque Indígena do Xingu e áreas próximas em Mato Grosso, conhecidos por sua habilidade na navegação e produção de artefatos.

 

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