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Três municípios mato-grossenses aceleraram o desmatamento em 2024

Colniza, Paranatinga e Nova Maringá ampliaram o desmatamento em 2024, segundo o RAD 2024 do MapBiomas Alerta, em contraste com a queda de 43,1% no agregado estadual de Mato Grosso. Apenas Aripuanã, entre os quatro municípios mato-grossenses no top 50 nacional, teve recuo.
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Colniza, Paranatinga e Nova Maringá cresceram entre 13% e 36%; só Aripuanã recuou, mas os quatro seguem na lista federal de prioridade da Amazônia

Mato Grosso cortou pela metade o ritmo de desmatamento em 2024 e fechou o ano com queda de 43,1% em relação a 2023, mas três dos quatro municípios mato-grossenses no top 50 nacional do MapBiomas Alerta seguiram em rota contrária. Colniza subiu 13,4%, Paranatinga avançou 31,4% e Nova Maringá ampliou 35,9% a área de vegetação nativa derrubada. Aripuanã foi o único da lista com recuo, de 34%. Os quatro municípios estão na Portaria GM/MMA 1.202, de 11 de novembro de 2024, que atualiza a lista federal de prioridades para ações de prevenção e controle do desmatamento na Amazônia.

Quatro municípios mato-grossenses no top 50 do desmatamento brasileiro

Em 2024, 50 municípios brasileiros concentraram 33% de todo o desmatamento validado no país. Quatro deles ficam em Mato Grosso. A presença mato-grossense vem de Colniza (10.716,5 hectares, 10º no ranking nacional), Paranatinga (5.928,7 ha, 36º), Nova Maringá (5.393,8 ha, 42º) e Aripuanã (5.138,8 ha, 48º). Somados, os quatro perdem 27.177,8 hectares no ano, ou 29% da área total desmatada em Mato Grosso em 2024.

Por trás da queda agregada de 43%, a heterogeneidade aparece. Aripuanã recuou 34%, o que equivale a 2.641,5 hectares a menos derrubados em 2024 frente a 2023. Os outros três cresceram em paralelo: Colniza somou mais 1.269,3 hectares; Paranatinga, mais 1.416,3; Nova Maringá, mais 1.425,7 hectares.

No corte dos 10 maiores desmatadores brasileiros, esse grupo respondeu por 10,2% do total nacional em 2024. Colniza, no extremo noroeste de Mato Grosso, é o único representante mato-grossense entre os 10 primeiros. As cinco posições acima dela são ocupadas por São Desidério (BA), Balsas (MA), Lábrea (AM), Sebastião Leal (PI) e Novo Aripuanã (AM).

Colniza segue líder estadual com 29 hectares derrubados por dia

Colniza fechou 2024 com 10.716,5 hectares de vegetação nativa perdidos, o equivalente a 29 hectares por dia em uma área que faz divisa com Rondônia e Amazonas. O município lidera o ranking estadual desde 2019 e acumula, nos últimos seis anos, 119.452,5 hectares derrubados, área superior à perdida por estados inteiros como Rio Grande do Sul, Espírito Santo ou Santa Catarina no mesmo intervalo.

Após dois anos de queda intensa, o crescimento de 13,4% sobre 2023 mostra possível inflexão. O município havia desmatado 36.100 hectares em 2022 e caído para 9.447,2 em 2023. O retorno à casa dos 10 mil em 2024 sugere que o ciclo de redução pode ter se esgotado. Em termos de fiscalização acumulada, 85% da área desmatada em Colniza nos últimos seis anos cruza com ação de órgãos federais ou estaduais. Apenas 3,8% dos 119,4 mil hectares teve autorização registrada nos sistemas estaduais ou federais consultados pelo MapBiomas, proporção entre as mais baixas do recorte.

Na lista da Portaria GM/MMA 1.202/2024, Colniza ocupa o 13º lugar entre os 81 municípios da Amazônia priorizados para ações de prevenção, controle e redução do desmatamento e da degradação florestal.

Paranatinga e Nova Maringá no Cerrado de MT subiram 31% e 36%

No Cerrado mato-grossense, os dois municípios aparecem em ascensão. Paranatinga, no centro-leste do estado, perdeu 5.928,7 hectares em 2024, ante 4.512,4 em 2023, num crescimento de 31,4%. Nova Maringá, no centro-norte, saltou de 3.968,1 para 5.393,8 hectares, alta de 35,9%.

Em comum, os dois municípios apresentam taxas altas de autorização registrada nas bases federais e estaduais consultadas. Em Paranatinga, 49,8% da área desmatada entre 2019 e 2024 cruza espacialmente com Autorização de Supressão da Vegetação (ASV) ou equivalente — quase metade do desmate com documento prévio. Em Nova Maringá, a proporção chega a 69,1%, com 17.069,4 hectares “autorizados” em um total acumulado de 24.690,4 ha desmatados na série. Considerando também a sobreposição com ações de fiscalização, a cobertura sobe para 74% em Paranatinga e 91,1% em Nova Maringá.

No Cerrado mato-grossense, o desmatamento avança dentro do quadro normativo do Código Florestal, com licença emitida, mas em um bioma cuja proteção legal é inferior à exigida na Amazônia. Enquanto na Amazônia o limite mínimo de Reserva Legal é de 80% do imóvel rural, no Cerrado o piso varia entre 20% e 35% conforme localização.

Aripuanã recua 34% e é o único do quarteto na contramão da contramão

Aripuanã, no norte mato-grossense, dentro do bioma Amazônia, teve queda de 34% e foi o único entre os quatro municípios do top 50 estadual a recuar. Em 2024, foram 5.138,8 hectares, ante 7.780,3 em 2023. O município traz acumulado de 67.304,9 hectares nos últimos seis anos.

Em Aripuanã, 76,2% da área desmatada acumulada cruza com ação de fiscalização federal ou estadual, e o índice geral de cobertura por autorização ou fiscalização chega a 81%. Apenas 9,2% do desmatamento histórico cruza com autorização específica.

Na lista federal de municípios prioritários, Aripuanã ocupa a 5ª posição, colocação alta na fila de ação, herança dos picos de desmatamento entre 2019 e 2021. O bioma Amazônia exige Reserva Legal mínima de 80% do imóvel rural, o que torna o avanço em florestas tropicais mais restrito juridicamente.

Lista federal aciona 26 municípios mato-grossenses

Em 11 de novembro de 2024, a Portaria GM/MMA 1.202 atualizou a lista de municípios prioritários para ações de prevenção e controle do desmatamento na Amazônia, com 81 municípios no total. Desses, 26 ficam em Mato Grosso, quase um terço do total nacional. Além dos quatro citados, a lista mato-grossense inclui Apiacás, Cláudia, Comodoro, Confresa, Conquista D’Oeste, Cotriguaçu, Feliz Natal, Juara, Juína, Marcelândia, Nova Ubiratã, Paranaíta, Peixoto de Azevedo, Porto dos Gaúchos, Querência, Ribeirão Cascalheira, Rondolândia, Santa Terezinha, São Félix do Araguaia, São José do Xingu, União do Sul e Vila Bela da Santíssima Trindade.

Após a inclusão na lista, os municípios ficam sujeitos a protocolos integrados de fiscalização do Ibama, do ICMBio e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso, e a restrições federais e estaduais para concessão de crédito agrícola, licenças e benefícios fiscais. Dos 50 municípios que mais perderam vegetação nativa no Brasil em 2024, 18 estavam na lista de prioritários da Amazônia. Em 2024, seis desses 18 reduziram desmatamento em relação ao ano anterior. “Nos 81 municípios prioritários na Amazônia, 1,8% dos alertas de desmatamento tiveram autorizações federais ou estaduais”, registra o RAD.

Quanto do desmate veio com licença, quanto veio sem

Comparados os quatro municípios, há tração distinta entre legalidade aparente e fiscalização efetiva. Em Colniza, com 119.452,5 hectares acumulados, apenas 4.538,4 ha cruzaram com autorização federal ou estadual, porque o município está, em sua maior parte, em área de Amazônia bioma, onde o limite de Reserva Legal restringe significativamente a abertura legal de novas áreas. A fiscalização, no entanto, alcança 85% da área desmatada acumulada.

Em Paranatinga, situação inversa: 49,8% do desmate cruzou com autorização, num bioma Cerrado em que a abertura licenciada é permitida sob limites menores. Nova Maringá leva ao extremo o padrão Cerrado, com 69,1% da área acumulada cruzando com algum documento de autorização. Aripuanã ocupa posição intermediária, com 9,2% de autorização e 76,2% de fiscalização, perfil próximo ao de Colniza.

Lidos em conjunto, os dados mostram dois modelos coexistentes de avanço sobre vegetação nativa em Mato Grosso. Em municípios amazônicos como Colniza e Aripuanã, prevalece desmatamento que o poder público classifica como ilegal e responde com auto de infração ou embargo. Em municípios do Cerrado como Paranatinga e Nova Maringá, prevalece desmatamento dentro do quadro do Código Florestal, com licença prévia, ainda que com volume anual comparável aos de Colniza e Aripuanã.

O contexto estadual

Em paralelo à entrada em vigor do Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR), a queda de 43,1% no desmatamento agregado de Mato Grosso em 2024 ganha contexto. A norma europeia, que veta a importação de commodities oriundas de áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020, entrou em aplicação em 30 de dezembro de 2025, após adiamento aprovado pela União Europeia em dezembro de 2024.

Como principal exportador brasileiro de soja e carne, Mato Grosso está dentro do recorte da EUDR. O RAD 2024 identifica 5,5 milhões de hectares desmatados no Brasil após 31 de dezembro de 2020, em uma área que pode afetar cerca de 310 mil imóveis rurais cadastrados no CAR, ou 4% dos 7,8 milhões de imóveis registrados no país.

 

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