Parceria com o Jardim Botânico municipal ensinou 20 alunos de 1 a 5 anos a cultivar e consumir alimentos orgânicos, incluindo espécies não convencionais.
A implantação de uma horta orgânica na Escola de Educação Infantil Cirandinha, em Poços de Caldas (MG), viabilizou a reconexão de 20 crianças com a natureza após o período de isolamento da pandemia de covid-19. O projeto, executado entre fevereiro e maio de 2022 em conjunto com a Fundação Jardim Botânico de Poços de Caldas (FJBPC), mobilizou alunos de um a cinco anos no plantio, cuidado e colheita de hortaliças e plantas alimentícias não convencionais (PANCs).
A iniciativa buscou criar uma alternativa educacional para enfrentar a alta ingestão de alimentos ultraprocessados na dieta infantil. Dados referenciados pelo documento apontam que 93% das crianças brasileiras entre 24 e 59 meses consomem esse tipo de produto, cenário associado ao risco de doenças crônicas como obesidade e diabetes. A experiência demonstrou que o contato prático com o ciclo botânico estimula o consumo de vegetais e a responsabilidade com o meio ambiente.
O “Projeto Terra” foi estruturado em três fases: planejamento, desenvolvimento e encerramento. A primeira etapa incluiu uma capacitação técnica das professoras, conduzida pela equipe de educação ambiental da FJBPC, abordando o preparo do solo e o controle ecológico de pragas. O documento afirma que a formação docente resolve a ausência de conhecimentos específicos, frequentemente apontada como o principal obstáculo para a manutenção de hortas escolares.
Após a instrução profissional, as crianças iniciaram o contato direto com a terra. Elas plantaram sementes de tomate-cereja em vasos individuais e auxiliaram na construção dos canteiros no pátio da escola, utilizando materiais reaproveitados como paletes e pneus. A fundação doou mudas de espécies como açafrão-da-terra, alecrim, manjericão e o peixinho, planta classificada como PANC.
A inserção de PANCs foi adotada de forma estratégica para ampliar o repertório alimentar dos estudantes e dos próprios professores, que demonstraram pouco conhecimento prévio sobre a biodiversidade alimentar nativa. Durante o plantio, o aroma do manjericão provocou associações espontâneas das crianças com pratos domésticos, vinculando o aprendizado botânico à alimentação diária.
A etapa final do cronograma incluiu uma visita guiada à sede do Jardim Botânico, onde o grupo conheceu o meliponário (espaço de abelhas sem ferrão) e participou de uma oficina de artes plásticas. Na atividade, os alunos produziram tintas naturais a partir de extratos de cúrcuma e flor de hibisco roxo extraídos por fricção.
A colheita gerou desdobramentos integrados à merenda da escola. Sob orientação de uma nutricionista, os estudantes colheram folhas de couve cultivadas por eles próprios e prepararam um suco verde com laranja. As turmas também assumiram um revezamento semanal para a irrigação dos canteiros com regadores feitos de material reciclável, incorporando a manutenção da horta à rotina pedagógica oficial da instituição.
Fonte: APRENDER COM A TERRA: A HORTA COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL E ALIMENTAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL, Costa, V. A. O. et al., Centro Universitário Una/UNIFAL/UFLA/Unicamp/UNIFEOB, Brasil, 2026, relato descritivo de implantação de projeto em escola entre fevereiro e maio de 2022.
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