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Amazônia recupera água natural e Pantanal perde 56% de área alagada, diz relatório

Coleção 5 do MapBiomas mostra melhora amazônica após dois anos de seca severa, enquanto Bacia do Paraguai consolida o pior cenário do país

A Amazônia voltou a registrar superfície de água acima da média histórica em 2025, após dois anos de seca severa. O dado inédito integra a Coleção 5 do MapBiomas Água, lançada nesta terça-feira (16). O alívio amazônico, porém, contrasta com o colapso contínuo do Pantanal, que fechou o ano com 56% de déficit hídrico, mantendo Mato Grosso e Mato Grosso do Sul como os estados com as maiores perdas absolutas de corpos d’água do país.

No conjunto do território nacional, a superfície hídrica atingiu 18,2 milhões de hectares em 2025. O número representa um aumento de 5,3% em relação aos 17,2 milhões de hectares registrados em 2024. Mesmo com a elevação anual, o país permanece abaixo da média histórica de 18,5 milhões de hectares estabelecida nas últimas quatro décadas. Atualmente, a água cobre cerca de 2% do território brasileiro.

O levantamento revela uma perda estrutural ao longo do tempo. A média da superfície de água no país caiu de 19,86 milhões de hectares na década de 1985-1994 para 17,28 milhões de hectares no período de 2015-2024. A retração entre a primeira e a última década da série temporal totaliza 2,6 milhões de hectares a menos de água mapeada.

Esse cenário atinge diretamente os municípios. Em 2025, 2.511 cidades brasileiras operaram com superfície de água inferior à média histórica, o que equivale a 45% do total de municípios do país.

A instabilidade na Amazônia

A recuperação na Amazônia injeta volume estatístico no resultado nacional, já que o bioma concentra 61,4% de toda a superfície de água do Brasil. Com 10 milhões de hectares de área hídrica natural mapeada, o bioma fechou 2025 operando 2,6% acima de sua média histórica. Os maiores ganhos estaduais ocorreram no Pará, com acréscimo de 142 mil hectares, e no Amazonas, com 87 mil hectares de alta.

A reversão do quadro de seca aguda registrado em 2023 e 2024, no entanto, é desigual. O levantamento identifica que 20 sub-bacias amazônicas — equivalentes a 37% do total no bioma — continuaram abaixo da média histórica. A região registrou dois meses de déficit hídrico ao longo de 2025.

A variação afeta a rotina das comunidades ribeirinhas. Mais da metade dessas populações reside a um raio de até 50 quilômetros dos 12 principais rios amazônicos, dependendo da estabilidade dos canais para navegação, pesca e acesso a serviços básicos.

Colapso contínuo no Pantanal

Diferente do Norte, o Pantanal consolida o quadro de escassez crítica. O bioma registrou 679 mil hectares de superfície hídrica em 2025. Apesar da recuperação de 34% frente ao ano anterior (506 mil hectares), o número mantém o bioma 56% abaixo de sua média histórica, fixada em 1,56 milhão de hectares.

A gravidade do déficit é demonstrada na constância da seca: o Pantanal foi o único bioma brasileiro em que todos os 12 meses de 2025 ficaram abaixo da média. A planície alagável possui uma característica específica que agrava o impacto ecológico, uma vez que mais de 99% de sua superfície de água é de origem natural.

A crise transborda para as fronteiras estaduais. Mato Grosso do Sul perdeu 527 mil hectares de água em relação à média histórica, enquanto Mato Grosso perdeu 336 mil hectares, ocupando a liderança nacional de retração. No nível municipal, Corumbá (MS) teve supressão de 474 mil hectares, e Cáceres (MT) encolheu 189 mil hectares.

A Região Hidrográfica do Paraguai, que conecta essas áreas, fechou 2025 com perda de 877 mil hectares, o que representa um encolhimento de 53,8% de sua superfície de água frente ao padrão histórico.

Água natural e reservatórios

A fotografia hídrica brasileira passa por uma transformação de paisagem. Corpos hídricos naturais representam 76,7% do total no país, enquanto reservatórios e estruturas antrópicas somam 23,3%.

Em 2025, o levantamento demonstra que a superfície de água antrópica ganhou 1,7 milhão de hectares em relação a 1985, uma expansão de 69%. Em contrapartida, os corpos hídricos naturais perderam 3,2 milhões de hectares no mesmo período, uma queda de 19%.

A alteração altera o perfil dos biomas. Enquanto Amazônia e Pantanal mantêm taxas acima de 90% de água natural, o Cerrado possui 55,1% de sua superfície de água estocada em reservatórios de hidrelétricas, restando apenas 34,4% em condição natural. Na Caatinga, 78% da água mapeada provém de estruturas antrópicas.

Reconhecimento oficial da escassez

A continuidade da crise no Centro-Oeste já constava em alertas federais. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) registrou que, entre fevereiro e março de 2025, os níveis do rio Paraguai igualaram os mínimos históricos do período de 1981 a 2023. O órgão também indicou que a seca severa de 2023-2024 afetou cerca de 60% do território nacional.

No âmbito regulatório, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) emitiu a Resolução nº 223, em 29 de novembro de 2024, que declarou situação crítica de escassez quantitativa na Região Hidrográfica do Paraguai até janeiro de 2025, determinando medidas de contingência para os setores usuários.

 

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