Pesquisa aponta que expectativa de vida do animal cai de 15 anos para níveis críticos devido ao avanço da pecuária e contaminação por mercúrio; autores sugerem compensação financeira a produtores rurais.
A caça motivada por vingança de criadores de gado e a destruição da floresta pelo garimpo ilegal estão reduzindo de forma drástica a população de onças-pintadas na Amazônia brasileira. É o que revela um estudo publicado em fevereiro de 2026 na Aurum Revista Multidisciplinar. A pesquisa detalha como a invasão de terras e a falha na aplicação das leis ambientais encurralam o maior felino das Américas.
A sobrevivência da onça-pintada, predador que fica no topo da cadeia alimentar, é fundamental para o equilíbrio de toda a floresta. O desaparecimento da espécie gera um efeito dominó que prejudica outras populações de animais e afeta diretamente a saúde do ecossistema. O problema central esbarra na dificuldade do governo brasileiro em fiscalizar áreas isoladas e garantir punições rigorosas para crimes ambientais.
O conflito com a criação de gado
A expansão das fazendas para dentro de áreas de floresta aumentou o contato e o atrito entre os animais silvestres e os seres humanos. Sem espaço para caçar, as onças acabam se alimentando de animais de criação.
O estudo destaca que a morte dos felinos por retaliação é uma das principais causas do sumiço da espécie. “Este fenômeno ocorre principalmente quando as onças atacam rebanhos de gado, levando os fazendeiros a retaliar contra os predadores para proteger seus animais”, aponta o documento. A prática é classificada como crime pela lei brasileira, mas a falta de agentes de fiscalização nas zonas rurais permite que os abates continuem.
Para resolver o impasse de forma pacífica, os pesquisadores propõem que o governo crie programas de pagamento aos pecuaristas. “Uma abordagem eficaz é a compensação financeira para os fazendeiros que perdem gado devido a ataques de onças-pintadas”, afirmam os autores. A ideia é que, ao não ter prejuízo no bolso, o produtor rural perca a motivação para matar o felino.
Rios contaminados e garimpo ilegal
Além da pecuária, a extração criminosa de ouro ameaça a onça-pintada de duas formas: derrubando as árvores e envenenando a água. O uso de mercúrio nos garimpos contamina os rios da região.
A pesquisa explica que o veneno não fica apenas na água, mas sobe pela cadeia alimentar até chegar ao felino. “O mercúrio pode se bioacumular na cadeia alimentar, afetando os peixes que são presas das onças-pintadas”, alerta a pesquisa. A exposição constante a esse metal pesado provoca problemas neurológicos e afeta a reprodução dos animais, piorando ainda mais o risco de extinção.
Queimadas encurtam a vida do predador
Em condições naturais saudáveis, o felino vive pouco mais de uma década. “A expectativa de vida das onças-pintadas na natureza pode variar significativamente, mas geralmente é de aproximadamente 12 a 15 anos”, informam os pesquisadores.
A realidade, porém, mostra que o fogo usado para limpar terrenos agropecuários tem um efeito imediato na mortalidade dos felinos. “No entanto, essa estimativa pode ser severamente reduzida devido a fatores ambientais adversos, como o desmatamento e as queimadas na Amazônia”, conclui o levantamento. O fogo destrói a caça disponível e força as onças a fugirem para perto de cidades ou fazendas, onde acabam mortas por humanos.
Falhas na lei e saídas possíveis
O Brasil possui leis rígidas para proteger a natureza, como o Código Florestal e a Lei de Crimes Ambientais. O estudo conclui que a fragilidade está na execução dessas normas. O uso de tecnologia, como drones e imagens de satélite, é recomendado para ajudar a polícia e os fiscais ambientais a vigiarem locais distantes.
Outra saída de longo prazo apresentada no documento é a criação de “corredores ecológicos”. Essas faixas de floresta interligadas funcionam como pontes seguras, permitindo que as onças caminhem grandes distâncias em busca de alimento e parceiros para reprodução, sem precisar cruzar estradas ou fazendas.
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