Quinta rodada cria seis fundos de inovação, exige capital estrangeiro entre 15% e 45% e reserva parcela inédita para pesquisa científica, com prazo de propostas até julho de 2026.
O governo federal lançou nesta segunda-feira (25) a quinta rodada do programa Eco Invest Brasil, com meta de mobilizar R$ 50 bilhões em investimentos para tecnologias sustentáveis consideradas estratégicas. A rodada usará recursos públicos do Fundo Clima para atrair capital privado e estrangeiro a projetos de transição energética, inovação industrial e economia circular, segundo o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron. As propostas das instituições financeiras poderão ser apresentadas até julho de 2026.
Seis fundos para seis cadeias industriais
O governo classifica a quinta rodada como a mais ambiciosa do Eco Invest até agora. O desenho prevê a criação de seis fundos de inovação, um para cada cadeia produtiva definida como prioritária: fertilizantes verdes, baterias e minerais críticos, combustíveis sustentáveis, automação e inteligência artificial aplicadas à produção, química verde e circularidade de resíduos minerais e industriais.
No primeiro mecanismo, cada fundo recebe R$ 1,5 bilhão em capital público, o que soma R$ 9 bilhões. As instituições financeiras poderão acrescentar até duas vezes esse valor em recursos privados, elevando o conjunto a R$ 27 bilhões. A segunda frente oferece até R$ 1 bilhão adicional por fundo em crédito público, limitado a R$ 6 bilhões, com alavancagem privada mínima de três vezes esse montante. Somadas, as duas estruturas chegam a um potencial de R$ 51 bilhões caso todos os limites sejam usados, valor que o governo arredondou para R$ 50 bilhões na comunicação oficial.

Capital estrangeiro vira critério de disputa
Pelas novas regras, as propostas precisam ter participação estrangeira entre 15% e 45% do total de recursos, e ofertas com maior presença de capital externo terão vantagem na seleção. Bancos brasileiros poderão formar consórcios com instituições estrangeiras para disputar a gestão dos fundos. Para atrair esse capital, o Ministério da Fazenda prepara uma agenda de apresentação do leilão a investidores nos Estados Unidos, na Europa e na China.
Cada fundo será administrado por uma única instituição vencedora, e um mesmo banco poderá gerir no máximo três dos seis fundos. O desenho inclui ainda uma cláusula de compartilhamento de resultados: se os projetos financiados renderem acima do previsto, parte do ganho excedente será destinada ao Tesouro Nacional. O programa foi instituído pela Lei nº 14.995, de outubro de 2024, no âmbito do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima.
Pesquisa científica entra no desenho do leilão
Para aproximar empresas, universidades e instituições científicas, a quinta rodada cria um mecanismo específico. Pelas regras, 0,5% dos recursos totais mobilizados serão transferidos, sem obrigação de devolução, para iniciativas de pesquisa e empreendedorismo científico. Caso o leilão alcance os R$ 50 bilhões previstos, essa parcela chega a R$ 250 milhões.
Pelo menos 10% da carteira de cada fundo deverá financiar empresas que contratem pesquisas de universidades ou que internalizem no Brasil tecnologias já existentes no exterior. A regra amplia o alcance do programa para além do financiamento de plantas industriais e passa a apoiar etapas de pesquisa, desenvolvimento e transferência de conhecimento para empresas instaladas no país.
Eco Invest mobilizou R$ 140 bilhões, mas aplicou R$ 14 bilhões
O lançamento ocorreu no mesmo dia da divulgação dos resultados do quarto leilão, voltado à bioeconomia, ao ecoturismo e à infraestrutura, com prioridade para a Amazônia Legal. O leilão recebeu propostas de oito bancos, com demanda de R$ 29,3 bilhões. Foram selecionadas quatro instituições, Banco do Brasil, BTG Pactual, Bradesco e Banco ABC Brasil, que assumiram compromisso de investir R$ 13,2 bilhões.
Com esse resultado, o Eco Invest teria mobilizado cerca de R$ 140 bilhões desde a criação. O número diz respeito à capacidade de mobilização e a compromissos de investimento, não ao desembolso efetivo. Em novembro de 2025, a carteira monitorada pelo Tesouro reunia 12 projetos, distribuídos entre economia circular, transição energética, infraestrutura verde e adaptação climática e bioeconomia.
Em dezembro de 2025, o Tesouro Nacional informou que o programa havia mobilizado mais de R$ 75 bilhões para financiamento, dos quais R$ 46 bilhões captados no exterior, e que mais de R$ 14 bilhões estavam de fato aplicados em projetos.

Quatro rodadas concentradas em menos de dois anos
O primeiro leilão, em 2024, registrou demanda de R$ 6,8 bilhões em recursos públicos, com potencial estimado de mobilizar cerca de R$ 45 bilhões em novos investimentos até 2026. O segundo, de agosto de 2025, foi direcionado à recuperação de áreas degradadas, atraiu 11 instituições financeiras e contemplou R$ 16,5 bilhões em capital público, associados à meta de recuperar cerca de 1,4 milhão de hectares. Estimativa do Banco Interamericano de Desenvolvimento, parceiro técnico, indicou potencial de gerar mais de 170 mil empregos nessa rodada.
O terceiro leilão, voltado à participação societária em empresas inovadoras, recebeu demanda capaz de mobilizar cerca de R$ 80 bilhões a partir de R$ 24 bilhões em recursos públicos, dos quais foram homologados R$ 15 bilhões. A pré-alocação previa R$ 12,2 bilhões para combustível sustentável de aviação, conhecido pela sigla SAF, e R$ 9,3 bilhões para baterias e cadeias de veículos elétricos.
O próximo marco do programa será a apresentação das propostas pelas instituições financeiras, prevista para julho. A partir da definição dos fundos vencedores, será possível verificar quanto do capital anunciado será de fato contratado, quais projetos receberão recursos e qual parcela chegará à pesquisa científica e às empresas instaladas no país.
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