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Petroleiro vaza combustível após ataque de drones no Estreito de Hormuz

vazamento Estreito de Hormuz

Embarcação Barakah, da ADNOC, registra rastro de óleo perto da costa de Omã; região estratégica concentra 25% do comércio marítimo global de petróleo e sofre com militarização.

O petroleiro M.V. Barakah, operado pela ADNOC Logistics & Services, vaza combustível bunker no Estreito de Hormuz após ser atingido por dois drones em 4 de maio, na costa de Omã. A embarcação de bandeira dos Emirados Árabes Unidos permanece ancorada na Península de Musandam enquanto equipes especializadas tentam conter a liberação de poluentes em uma das rotas marítimas mais sensíveis do planeta.

O incidente ocorre em um momento de extrema fragilidade para a segurança energética global e a conservação marinha no Golfo. Embora a ADNOC informe que a embarcação não transportava carga no momento do impacto, a liberação do combustível de bunker — substância densa utilizada para a propulsão do próprio navio — gerou manchas detectadas por sistemas de monitoramento orbital. O episódio expõe a vulnerabilidade ambiental de uma região que serve como gargalo para 20 milhões de barris de petróleo por dia.

A ADNOC Logistics & Services confirmou que houve a liberação de uma “pequena quantidade de combustível de bunker”, mas não forneceu dados públicos sobre a metragem cúbica ou a tonelagem do vazamento. “A empresa monitora a situação e atua com autoridades e equipes especializadas de resposta”, informou a operadora em nota. Segundo o governo dos Emirados Árabes Unidos, o ataque partiu do Irã e representa uma violação direta da liberdade de navegação no corredor marítimo.

Evidência orbital confirma rastro de óleo

Imagens geradas pelos satélites Sentinel, vinculados ao programa europeu Copernicus, registraram um rastro branco saindo da embarcação nos dias 7 e 9 de maio. De acordo com a consultoria Data Desk, a assinatura visual captada pelo sensor orbital é compatível com o derramamento de óleo. A mancha estendia-se a partir do petroleiro, que foi identificado pela plataforma TankerTrackers.com na região de Musandam.

A detecção visual, contudo, é intermitente. Elizabeth C. Atwood, cientista sênior de observação da Terra do Plymouth Marine Laboratory, afirmou que as imagens mais recentes já não mostram a mancha de forma nítida. A dissipação visual não anula o risco ecológico, uma vez que o combustível de bunker é conhecido pela persistência em ambientes marinhos e pela baixa taxa de evaporação.

Até o fechamento da matéria, o Centro de Segurança Marítima de Omã não havia respondido aos pedidos de comentário sobre possíveis danos costeiros. A ausência de um laudo independente sobre a composição exata do combustível e o volume total despejado impede uma conclusão definitiva sobre a extensão do desastre. O que se confirma é a presença de hidrocarbonetos em uma área que abriga ecossistemas frágeis, como recifes e zonas de pesca artesanal.

Musandam enfrenta poluição recorrente

A Península de Musandam, no norte de Omã, já convive com um histórico de negligência ambiental. Um estudo publicado em 2025 na revista Sustainability revelou que a região é alvo de vazamentos de pequena escala e origem não identificada de forma recorrente. O levantamento, baseado em séries temporais de 2017 a 2020, indicou que o entorno sofre ocorrências desse tipo entre uma e três vezes por mês, especialmente durante o verão e o início do outono.

O impacto socioeconômico desses eventos é cumulativo. O estudo aponta danos sistemáticos à pesca local, ao turismo e aos sistemas de dessalinização de água, essenciais para a sobrevivência das comunidades da península. A presença de aves marinhas e serpentes marinhas torna a zona biologicamente sensível, onde mesmo pequenos volumes de óleos combustíveis pesados podem causar mortandade por asfixia ou toxicidade aguda.

Diferente do petróleo bruto, o combustível de bunker ganha viscosidade em contato com a água e dificulta os trabalhos de limpeza. A ITOPF, entidade técnica internacional, classifica óleos combustíveis pesados como substâncias que evaporam pouco e tendem a permanecer no mar dependendo das correntes e da temperatura. A rapidez da resposta das equipes da ADNOC será determinante para evitar que o óleo atinja a zona litorânea de Omã.

Crise em Hormuz pressiona oferta global

O ataque ao Barakah insere-se em um quadro de severa pressão energética. Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) mostram que cerca de 25% do comércio marítimo mundial de petróleo depende da passagem por Hormuz. Além do óleo, quase 20% do comércio global de GNL (Gás Natural Liquefeito) transita pela rota, com destaque para as exportações do Catar e dos próprios Emirados Árabes Unidos.

A instabilidade já reflete nos estoques mundiais. Em relatório de maio de 2026, a IEA apontou que a oferta global de petróleo recuou mais 1,8 milhão de barris por dia em abril. Desde fevereiro, as perdas acumuladas chegam a 12,8 milhões de barris diários em virtude das interrupções no estreito. A militarização da zona forçou petroleiros a operarem com rastreadores desligados para evitar drones e mísseis — estratégia que envolveu ao menos 6 milhões de barris em quatro navios emiradenses recentemente.

Acúmulo de incidentes amplia vulnerabilidade

O vazamento atual não é um fato isolado na região. Na semana anterior ao incidente com o Barakah, imagens de satélite detectaram uma mancha suspeita de 45 km² perto da Ilha de Kharg, o principal centro de exportação de petróleo do Irã. Embora autoridades iranianas, como a vice-presidente Shina Ansari, neguem vazamentos em suas instalações, o Conflict and Environment Observatory monitora o acúmulo de poluentes na bacia.

O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, via agência WAM, classificou o ataque ao Barakah como uma afronta direta à navegação internacional. O navio, que não registrou feridos entre os tripulantes, permanece como um símbolo da paralisia técnica diante de ataques assimétricos. Enquanto os atores políticos discutem a autoria dos drones, o combustível bunker continua a interagir com as correntes de Musandam.

O fechamento de balanços sobre fauna, pesca e áreas costeiras depende agora da transparência das autoridades de Omã e da ADNOC. Até o momento, não há informações detalhadas sobre o uso de barreiras de contenção ou dispersantes químicos. O desdobramento do caso Barakah servirá como teste para a capacidade de resposta ambiental em zonas de conflito ativo, onde o risco ecológico é frequentemente secundarizado pela urgência militar e econômica.

 

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