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Pantanal e Águas

Umidade baixa em Mato Grosso no início de junho antecipa o auge da estiagem

INMET prevê umidade baixa em Mato Grosso, com tardes perto de 30% no Centro-Oeste; a faixa entre 20% e 30% já é tratada como estado de atenção para a saúde

Rogerio FlorentinoPor Rogerio Florentino horário de Cuiabá 8 min de leitura WhatsApp
umidade baixa em Mato Grosso

De acordo com previsões mais recentes do INMET (até dia 08), os próximos dias contarão com baixa umidade em Mato Grosso, com tempo firme, calor e tardes em torno de 30%. Faixas entre 20% e 30%, são classificadas como estado de atenção, a recomendação é reforçar a hidratação, evitar esforço físico ao ar livre nos horários mais quentes e umidificar ambientes fechados. O alerta marca a entrada antecipada do estado na fase mais seca do calendário climático.

Na previsão semanal de 1º a 8 de junho, já havia indicação de baixos acumulados de chuva no Centro-Oeste, com possibilidade de precipitação esparsa apenas no extremo norte do estado, no início da semana. No restante da região, o padrão era de tempo mais firme e umidade em torno de 30% no sul de Mato Grosso.

O prognóstico climático do mês reforça a tendência de calor. Para o Centro-Oeste, a projeção é de temperaturas médias até 1°C acima da climatologia em todos os estados. Em áreas do noroeste e do sudoeste de Mato Grosso, o desvio pode chegar a 1,5°C em relação à média histórica de junho.

O que 30% de umidade significa para a saúde

A faixa de 30% marca o limite entre o desconforto comum e o risco para a saúde. A umidade considerada ideal para o organismo fica entre 40% e 70%. Quando a taxa cai para 30%, já há situação de alerta, com irritação de garganta, sangramento nasal, piora de doenças respiratórias, dor de cabeça, sensação de areia nos olhos e pele ressecada, segundo o MT Saúde.

As recomendações variam conforme a gravidade. Entre 20% e 30%, orienta-se evitar exercícios ao ar livre entre 11h e 15h, umidificar ambientes, procurar locais protegidos do sol e consumir água com frequência, mesmo sem sede. Entre 12% e 20%, o quadro passa a alerta, com uso de soro fisiológico para olhos e narinas e supressão de trabalho ao ar livre nos horários críticos. Abaixo de 12%, a situação é de emergência, com interrupção de atividades externas e atenção redobrada a quartos de crianças e a hospitais.

Cartilhas oficiais de defesa civil acrescentam medidas de baixo custo para enfrentar o ar seco. Entre elas estão manter recipientes com água ou toalhas úmidas próximos à cama, limpar a casa com pano úmido em vez de vassoura para não levantar poeira, evitar banhos muito quentes e afastar-se de fumaça de cigarro e de queimadas. Diante de sintomas como falta de ar, tontura ou dor de cabeça intensa, a orientação é procurar atendimento médico.

A comparação com médias históricas exige cautela. A umidade relativa mede a quantidade de vapor de água no ar em relação ao máximo que o ar consegue reter naquela temperatura, de acordo com a NOAA – National Oceanic and Atmospheric Administration dos EUA. Como o ar quente comporta mais vapor, uma mesma massa de ar pode registrar umidade relativa menor à tarde, quando a temperatura sobe, o que ajuda a explicar por que o pior horário do dia concentra os valores mais baixos.

Sem seca oficial, mas com ar seco

Um dado evita interpretações erradas sobre o cenário. A atualização mais recente do Monitor de Secas, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, registrou que Mato Grosso ficou livre de seca em abril de 2026, junto com o Acre. Foi a primeira vez que o estado ficou sem registro do fenômeno desde julho de 2025.

Isso não contradiz a previsão de ar seco em junho. O Monitor de Secas trabalha com avaliação mensal, baseada em indicadores e impactos de curto e longo prazo, enquanto a previsão meteorológica trata do comportamento da umidade do ar nos próximos dias, sobretudo à tarde.

A distinção aparece também no risco geo-hidrológico. No boletim de 4 de junho de 2026, o Cemaden concentrou a previsão de riscos associados a chuvas, alagamentos, enxurradas e movimentos de massa em áreas do Norte e do Nordeste, como Amazonas, Roraima, Paraíba, Pernambuco e Bahia. Mato Grosso não aparece como área de risco geo-hidrológico nesse documento. Em parte do Norte e do Nordeste, o quadro é de chuva e risco de enchente. Em Mato Grosso, a previsão para os próximos dias é de calor, tempo estável e pouca chuva, com atenção para a saúde e para o risco de incêndios.

A umidade em Cuiabá cai de junho a agosto

As Normais Climatológicas mostram que Cuiabá tem queda acentuada de umidade entre junho e agosto. A série mais recente, de 1991-2020, indica média anual de 73,7%, mas o valor cai para 67,6% em julho, 60,4% em agosto e 61,4% em setembro. Agosto é o mês mais seco da série.

A leitura das séries não é de queda linear simples. A normal de 1991-2020 é mais seca que a de 1981-2010 na média anual, com recuo de 1 ponto percentual, mas ainda fica 0,6 ponto percentual acima da normal de 1961-1990. Entre 1991-2020, agosto e setembro são os meses mais secos do ano em Cuiabá.

A diferença entre a média histórica de junho na capital, de 73,6%, e as tardes previstas em torno de 30% é de 43,6 pontos percentuais. Esse contraste não deve ser tratado como anomalia mensal oficial, porque junho de 2026 ainda não terminou e a previsão se refere ao período da tarde. A comparação mostra que, no pior horário do dia, a umidade no estado já fica em uma condição típica de atenção, antes do auge histórico da estiagem.

Queimadas entram no calendário crítico

A baixa umidade também aparece no planejamento contra incêndios. O Governo de Mato Grosso publicou decreto que declara situação de emergência ambiental e estabelece o período proibitivo do uso do fogo de 1º de julho a 30 de novembro de 2026 nos três biomas do estado: Amazônia, Cerrado e Pantanal. A medida considera estiagem prolongada, altas temperaturas, ondas de calor, baixa umidade relativa do ar e ventos intensos como fatores que favorecem incêndios florestais.

O Corpo de Bombeiros de Mato Grosso alertou que o fim do período chuvoso e o início da estiagem, a partir de maio, são marcados pela queda da umidade do ar e pelo aumento do risco de incêndios em áreas de vegetação. O uso do fogo é proibido em áreas urbanas durante todo o ano, e práticas como queima de lixo, de folhas secas e de limpeza de terrenos podem configurar crime ambiental.

O que 2026 tem de diferente

Episódios de baixa umidade ocorrem em Mato Grosso todos os anos, especialmente no auge da seca. A diferença em 2026 é que o patamar de atenção aparece logo no início de junho.

Os registros recentes ajudam a dimensionar o quadro. Em julho de 2022, a Defesa Civil de Cuiabá alertou para umidade entre 20% e 12% na capital, com temperatura podendo chegar a 36°C, patamar mais severo que o previsto para este início de junho. Em setembro de 2023, houve massa de ar quente e seco no Centro-Oeste, com umidade inferior a 30% principalmente no centro-norte da região. Em setembro de 2025, a previsão voltou a apontar umidade abaixo de 30% em toda a região, com destaque para Mato Grosso, e em outubro de 2025, na transição para o retorno das chuvas, os valores ainda rondavam 30% no leste do estado.

Não há base para afirmar que 2026 será mais severo que 2022, 2023 ou 2025, porque os meses críticos ainda estão pela frente. O que já se pode afirmar, com respaldo oficial, é que o estado entrou cedo na fase de atenção para o ar seco.

O fim de semana e o feriado prolongado seguem dentro desse cenário até segunda-feira (8), quando uma nova rodada de previsão deve atualizar o horizonte. A partir de 1º de julho começa o período proibitivo do uso do fogo, e a recomendação das autoridades é acompanhar os boletins oficiais e seguir as orientações de saúde enquanto a umidade permanecer baixa.

 

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