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Novas outorgas da SEMA-MT liberam 3.689.620 litros de água por hora de rios em Mato Grosso

SEMA-MT autoriza captação de 3,7 milhões de litros de água por hora para o agronegócio

Volume retirado a cada hora, destinado ao agronegócio e à indústria, seria suficiente para suprir as necessidades diárias de 37 mil pessoas.

Enquanto a paisagem de Mato Grosso alterna entre a exuberância do verde e a poeira das estradas de terra, nos bastidores do poder público, decisões silenciosas definem o futuro de um de seus recursos mais vitais: a água. A Secretaria de Meio Ambiente (SEMA-MT) oficializou, hoje quarta-feira (09), uma série de outorgas que entregam volumes monumentais de água de rios para grandes empreendimentos. São autorizações que, na prática, funcionam como um cheque em branco hídrico, com validade para a próxima década.

A medida alimenta a força da economia local, mas lança uma sombra de dúvida sobre a sustentabilidade dos rios que são as veias abertas do Cerrado e da Amazônia mato-grossense.

Uma ‘catarata’ para a lavoura

A portaria de maior impacto, de número 812/2025, beneficia a empresa VMX Agropecuária e Participações LTDA. A companhia recebeu luz verde para captar água do Rio Arraias, no município de Feliz Natal. A finalidade é a irrigação de lavouras. O volume autorizado é de 2.917 metros cúbicos por hora (m³/h), o que corresponde a mais de 2,9 milhões de litros de água. Colocando em perspectiva, a Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda um consumo diário de até 100 litros de água por pessoa. Apenas o volume que a VMX Agropecuária poderá retirar em uma única hora seria suficiente para atender as necessidades diárias básicas de mais de 29.000 pessoas.

Um rio para diluir resíduos

Mais ao sul, no município de Canarana, a Agrícola Alvorada S.A. também foi contemplada, desta vez com as águas do Rio Tanguro. Duas portarias (nº 831 e 832/2025) garantem à empresa o direito de retirar um total combinado de 772 mil litros por hora, para fins de “diluição de efluentes industriais” e “uso industrial”. Seguindo os mesmos parâmetros da ONU, este fluxo horário atenderia às necessidades diárias de água de mais de 7.700 pessoas. A questão que fica no ar é: usar um bem público para diluir rejeitos privados é a melhor gestão ambiental possível?

A tabela abaixo detalha as três outorgas de uso de água concedidas pela SEMA-MT em 9 de julho de 2025, beneficiando as empresas VMX Agropecuária e Agrícola Alvorada. O destaque é o volume total combinado, que atinge 3.689.620 litros por hora retirados dos rios Arraias e Tanguro para fins de irrigação e atividades industriais.

A conta hídrica que não fecha

A conta final, carimbada no Diário Oficial, é assustadora. Somando apenas essas três concessões, o volume total que o poder público autoriza ser desviado dos rios chega a quase 3,7 milhões de litros por hora. E o ponto mais grave: este é um compromisso firmado para durar por 10 anos. Na prática, a cada sessenta minutos, durante uma década, o Estado permite que seja retirada dos rios a quantidade de água que quase 37.000 pessoas precisariam para viver por um dia inteiro. Um retrato da crescente pressão sobre os recursos hídricos de Mato Grosso, que se equilibra na corda bamba entre ser o gigante do agronegócio e o guardião de biomas essenciais para o planeta.

 

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Quer se informar sobre meio ambiente em MT? Ouça o Pod Lupa na mata:

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