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Estudo da UFMS detalha como legislação ambiental blinda e desafia o agronegócio em 2025

Pesquisa da UFMS, aprovada com nota máxima em novembro de 2025, analisa como a rigorosa legislação ambiental brasileira impacta o agronegócio. O estudo revela que a conformidade legal se tornou vital para a sobrevivência econômica do setor, impulsionando tecnologias sustentáveis e novos mercados como o de crédito de carbono, apesar dos desafios jurídicos e produtivos.
Normas ambientais no campo, Direito agrário e sustentabilidade, Regulação do setor agropecuário

Pesquisa avaliada com nota máxima disseca o impacto de normas rigorosas sobre o setor que carrega o PIB, revelando o equilíbrio tenso entre lucro e preservação no Mato Grosso do Sul.

O agronegócio brasileiro vive um momento decisivo neste final de 2025. De um lado, sustenta a economia com números recordes; do outro, enfrenta uma malha jurídica complexa que define quem sobrevive no mercado. Uma análise jurídica profunda, apresentada recentemente na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), campus de Três Lagoas, joga luz sobre essa relação. O estudo, que obteve nota máxima na banca examinadora em novembro, expõe como a estrutura normativa deixou de ser apenas burocracia para virar estratégia de sobrevivência.

O trabalho acadêmico de Lauro Augusto Bueno Ribeiro, aprovado no último dia 19 de novembro, detalha os reflexos dessa legislação. A pesquisa aponta que a sustentabilidade se tornou um “imperativo jurídico”. Não é mais uma escolha ética. O produtor que ignora a lei perde crédito, mercado e competitividade.

O peso da lei na porteira

A Constituição Federal de 1988 mudou o jogo. Antes vista apenas como recurso econômico, a terra ganhou função social e ambiental. O artigo 225 da Carta Magna impõe o direito ao meio ambiente equilibrado. Isso obriga o campo a produzir sem destruir o futuro.

Para entender a gravidade, é preciso olhar para o conceito de solidariedade. O jurista Édis Milaré, citado na análise, define essa responsabilidade compartilhada:

“Em círculos ambientalistas e universitários, fala-se muito em dois tipos de solidariedade: a sincrônica (‘ao mesmo tempo’) fomenta as relações de cooperação com as gerações presentes, nossas contemporâneas. A segunda, a diacrônica (‘através do tempo’), é aquela que se refere às gerações de após, ou seja, as que virão depois de nós, na sucessão do tempo. Preferimos falar de solidariedade intergeracional, porque traduz os vínculos solidários entre as gerações presentes e com as futuras.”

Essa visão molda as decisões judiciais e as políticas de crédito. O produtor hoje responde por danos ambientais de forma objetiva. Ou seja, não importa se houve intenção de poluir; se o dano existe, a conta chega.

Números que sustentam o país

O cenário econômico de 2025 reforça a dependência do Brasil em relação ao campo. Dados compilados no estudo mostram a força do setor:

  • Crescimento: O PIB do agronegócio subiu cerca de 6,5% no primeiro trimestre deste ano.

  • Empregos: Foram criadas 35,7 mil vagas formais no início de 2025.

  • Exportação: O setor respondeu por quase 50% das vendas externas brasileiras em setembro.

Esses índices, contudo, dependem diretamente da tecnologia. Sem inovação, a conta ambiental não fecha. Alysson Paolinelli, ex-ministro e visionário da agricultura tropical, já alertava sobre isso em 2014. Sua fala, resgatada pelo pesquisador, ecoa como profecia cumprida:

“O sucesso da agricultura brasileira e mundial se baseia no uso de tecnologia. Mas atualmente, ou nós melhoramos nossa produção ou o mundo não vai ter comida suficiente. Se não houver uma elevação de produtividade, se não conseguirmos tirar mais dos recursos naturais sem degradá-los, o mundo não tem futuro.”

A linha tênue do desmatamento

Um dos pontos mais críticos abordados é a diferença entre desmatamento legal e ilegal. A mídia nem sempre faz essa distinção. O Código Florestal permite a supressão de vegetação dentro de limites rígidos. Na Amazônia Legal, por exemplo, propriedades em áreas de floresta podem usar apenas 20% do solo.

O estudo esclarece que o desmate legal, quando autorizado, é parte do direito de propriedade. Já o ilegal atrai a fúria do Estado. O Ibama e as polícias atuam para punir quem cruza essa linha. Além disso, o uso incorreto de agrotóxicos gera responsabilidade criminal. A lei não perdoa a poluição difusa que contamina lençóis freáticos.

O papel das associações

Diante da pressão, entidades de classe assumiram o protagonismo. Elas deixaram de apenas defender o produtor para educá-lo. A Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) é o maior exemplo citado.

Projetos como o “Guardião das Águas” e o “Soja Legal” mostram essa mudança de postura. Luiz Pedro Bier, vice-presidente da Aprosoja-MT, detalha essa estratégia na pesquisa:

“A questão do equilíbrio do meio ambiente com a produção agrícola tem sido a principal pauta de discussão dentro da associação. O estado do Mato Grosso é exemplo nisso e a Aprosoja MT tem ampliado essa atuação dos produtores através de alguns programas, entre eles, o Soja Legal e o Guardião das Águas, que visam a legalidade do produtor rural. O estado ainda é exemplo no plantio direto, na logística reversa de embalagens e na eficiência produtiva, produzindo mais em menos área, utilizando a agricultura de precisão e sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), onde a gente consegue fazer um aporte maior de carbono no solo, contribuindo também para a diminuição do efeito de estufa”.

O futuro é verde e regulado

O mercado de carbono surge como a nova fronteira. O Brasil tem potencial para gerar 15% da oferta mundial de créditos voluntários. A gigante Raízen já opera nessa lógica. Cada tonelada de carbono evitada vira ativo financeiro.

Portanto, a conclusão é clara. A legislação ambiental brasileira é rigorosa, talvez a mais dura do mundo. Mas ela deixou de ser apenas um entrave. Hoje, ela funciona como um selo de qualidade. O produto que respeita a norma vale mais. Quem ignora a regra, fica pelo caminho.

O PROJETO GUARDIÃO DAS ÁGUAS

  • Foco: Identificar e recuperar nascentes em Mato Grosso.

  • Resultado: 95% das nascentes mapeadas estão em bom ou ótimo estado.

  • Estratégia: Conciliar uso produtivo da água com preservação de matas ciliares.

  • Impacto: Garante segurança hídrica para a lavoura e para a população.

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