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Pantanal e Águas

Expansão de data centers nos EUA enfrenta resistência de comunidades por disputa de água e energia

Projetos de Amazon, Microsoft e Google foram barrados ou recuados após oposição local em pelo menos cinco estados americanos

Rogerio FlorentinoPor Rogerio Florentino horário de Cuiabá 5 min de leitura WhatsApp
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Projetos de data centers de Amazon, Microsoft e Google foram barrados nos EUA após oposição local por uso de água e energia.

Grandes empresas de tecnologia enfrentam resistência ao tentar ampliar data centers para inteligência artificial. Em pelo menos cinco estados americanos, projetos de Amazon, Microsoft e Google foram retirados, cancelados ou rejeitados entre 2024 e 2026 devido à oposição de moradores e autoridades locais quanto ao impacto sobre recursos hídricos, tarifas de energia e qualidade de vida.

O crescimento de investimentos em infraestrutura de IA é o contexto. Segundo a agência Reuters, empresas de tecnologia planejam destinar cerca de US$ 635 bilhões a projetos ligados a IA em 2026, contra US$ 383 bilhões no ano anterior. O Departamento de Energia dos EUA estima que data centers consumiram 4,4% de toda a eletricidade do país em 2023 e podem chegar a uma faixa entre 6,7% e 12% até 2028.

Projetos barrados

Um dos casos mais visíveis aconteceu no condado de Louisa, na Virgínia. A Amazon Web Services propôs um campus de 7,2 milhões de pés quadrados em 1.370 acres, com potencial de gerar US$ 115 milhões anuais ao condado. Em audiência pública, moradores reclamaram de ruído, tráfego pesado e pressão sobre a rede elétrica. A AWS retirou o pedido de licença e disse que vai reavaliar o projeto.

Em Tucson, no Arizona, a disputa girou em torno de água. O conselho municipal votou contra permitir que um projeto de data center usasse o abastecimento hídrico da cidade. A Amazon, apontada como potencial operadora, saiu do arranjo. O empreendimento tenta seguir adiante com um sistema de resfriamento que dependa menos de água, transferindo na prática a pressão para o consumo de energia.

Na região de Indianápolis, o Google desistiu do “Project Flo”, que previa quatro prédios em 468 acres com abatimento fiscal de dez anos, após protestos de moradores preocupados com consumo de água e energia e com o baixo número de empregos permanentes. Um conselheiro local havia assinado um acordo de confidencialidade sobre o projeto, o que aumentou a desconfiança da comunidade.

A Microsoft cancelou seu plano em Caledonia, Wisconsin, que envolvia 244 acres e uma subestação de 15 acres, depois de oposição de moradores e autoridades. E no condado de Montour, na Pensilvânia, a comissão local negou o rezoneamento de área agrícola para permitir a instalação de data centers que atenderiam a Amazon em esquema de co-locação com uma usina de energia.

A conta da água

A Reuters citou estimativa de que data centers na América do Norte usaram perto de 1 trilhão de litros de água em 2025. O resfriamento dos servidores pode exigir retirada direta de água do abastecimento local ou, se substituído por sistemas de ar, aumentar a demanda elétrica.

Dados publicados pelo Google mostram a dimensão do problema. O data center de Council Bluffs, em Iowa, retirou 1,41 bilhão de galões de água em 2024. O de Mayes County, em Oklahoma, retirou 1,1 bilhão. No total, as operações do Google consumiram 8,1 bilhões de galões no ano.

As três grandes apresentam métricas de maneiras diferentes, o que dificulta comparações. A Amazon divulga eficiência hídrica por unidade de energia, mas não um total consolidado. A Microsoft informa volume global sem recorte por localidade. O Google publica dados por site, mas exclui instalações operadas por terceiros.

Pressão de investidores

Acionistas passaram a cobrar mais do que metas genéricas de impacto ambiental. A gestora Trillium protocolou resolução na Alphabet em 2026 exigindo que a empresa explique como cumprir compromissos climáticos com a demanda crescente de seus data centers. Jason Qi, analista-líder de tecnologia da Calvert, resumiu a crítica: “não vimos divulgação suficiente” sobre consumo de água e impacto nas comunidades locais.

Na assembleia de 2025 da Amazon, uma proposta semelhante recebeu 1,55 bilhão de votos a favor, mas foi rejeitada por 6,17 bilhões contra. Na Alphabet, o placar foi de 1,02 bilhão a favor e 11,4 bilhões contra. As derrotas numéricas não ocultam um fato: a base de apoio a essas resoluções cresce a cada temporada.

O que vem pela frente

A Agência Internacional de Energia projeta que o consumo global de eletricidade por data centers pode dobrar até 2030, chegando a cerca de 945 TWh por ano. Nos EUA, o embate tende a se repetir a cada novo projeto que precise de rezoneamento, licenças ambientais e acesso a recursos locais. A Data Center Coalition, grupo de lobby do setor, reconheceu que transparência sobre água e energia é prioridade para impedir que comunidades rejeitem empreendimentos sem ter informações.

-A imagem que ilustra esta matéria foi criada utilizando IA.

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