O “Emissions Gap Report 2024”, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), expõe lacunas preocupantes nas metas climáticas globais. As emissões de gases de efeito estufa alcançaram um recorde de 57,1 gigatoneladas de CO₂ equivalente (GtCO₂e) em 2023, aumentando 1,3% em relação ao ano anterior. Assim, para alinhar-se ao Acordo de Paris, ações drásticas tornam-se imprescindíveis para limitar o aquecimento global a 1,5°C ou 2°C.
Cenário atual das emissões globais
As emissões globais continuam a crescer, enquanto os setores de energia elétrica, transporte, agricultura e indústria lideram esse aumento. Por outro lado, áreas relacionadas ao uso da terra e florestas apresentaram leves sinais de estabilização, o que demonstra o potencial para intervenções mais robustas.
De acordo com o relatório, alcançar o limite de 1,5°C até 2030 exigiria uma redução de 42% nas emissões em relação aos níveis de 2019. No entanto, a lacuna atual permanece em 22 GtCO₂e, evidenciando a insuficiência das políticas existentes. Além disso, o atraso na implementação de medidas aumenta a dificuldade de alcançar as metas.
Lacunas e desigualdades na ação climática
O G20 continua a ser o maior emissor global, responsável por 77% das emissões. Entretanto, países de baixa renda, que contribuem com apenas 3%, enfrentam desafios desproporcionais causados pelas mudanças climáticas. Consequentemente, essa disparidade reforça a necessidade de ações climáticas mais inclusivas.
Para que as metas sejam atingidas, é essencial que o G20 adote políticas mais ambiciosas. Além disso, o relatório recomenda um aumento de financiamento climático global em até seis vezes, priorizando nações em desenvolvimento, que ainda carecem de recursos para implementar tecnologias sustentáveis.
Potenciais soluções e responsabilidade do G20
A transição energética é fundamental, e o relatório identifica energia solar e eólica como soluções primordiais. Juntas, essas fontes representam até 38% do potencial de redução de emissões até 2035. Além disso, medidas como a eletrificação de transportes e a proteção florestal são indispensáveis.
Apesar disso, a liderança do G20 continua a ser essencial. O grupo deve assumir cortes de emissões 50% superiores às médias globais para compensar sua contribuição histórica ao aquecimento global. Portanto, a eliminação de subsídios aos combustíveis fósseis, que já somam US$ 7 trilhões desde 2010, precisa ser priorizada.
Recomendações para compromissos futuros
O relatório reforça que as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) devem incluir metas claras e abrangentes. Para tanto, é necessário que todos os setores emissores e gases de efeito estufa sejam integrados nos compromissos climáticos.
Ademais, a transparência é um ponto vital. A criação de um índice global de rastreamento de compromissos climáticos é essencial para permitir que cidadãos e organizações monitorem o progresso de suas nações em tempo real.
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O que é o “Emissions Gap Report 2024″?
O Emissions Gap Report 2024 é uma publicação anual produzida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Ele desempenha um papel essencial no monitoramento das metas climáticas globais, analisando o progresso (ou a falta dele) em relação aos compromissos firmados internacionalmente, como o Acordo de Paris. Este relatório avalia o descompasso entre as metas prometidas pelos países e os níveis de emissões necessários para limitar o aquecimento global a níveis seguros.
Objetivo principal do relatório
O relatório busca identificar e quantificar o “gap” (lacuna) entre as emissões globais projetadas e os níveis necessários para limitar o aquecimento global a 1,5°C ou 2°C acima dos níveis pré-industriais. Essa lacuna é conhecida como “emissions gap”, ou lacuna de emissões, e representa o volume de emissões de gases de efeito estufa que precisam ser reduzidas para evitar consequências climáticas mais graves.
O que o relatório analisa?
O Emissions Gap Report 2024 examina:
- Emissões atuais: Analisa as emissões globais de gases de efeito estufa (como CO₂, metano e óxidos de nitrogênio) no último ano. Em 2023, as emissões atingiram um recorde de 57,1 gigatoneladas de CO₂ equivalente (GtCO₂e).
- Contribuições nacionalmente determinadas (NDCs): Avalia os compromissos climáticos assumidos pelos países no Acordo de Paris. Muitos desses compromissos, conhecidos como NDCs, são considerados insuficientes para alcançar as metas climáticas globais.
- Setores de Emissões: Identifica os principais setores emissores, como:
- Energia elétrica: Uso de combustíveis fósseis.
- Transporte: Dependência de combustíveis fósseis no transporte rodoviário, aéreo e marítimo.
- Agricultura e pecuária: Geração de metano e mudanças no uso da terra.
- Indústria: Processos industriais e uso de energia em larga escala.
- Responsabilidade global: Destaca disparidades entre emissores:
- O G20 é responsável por 77% das emissões globais.
- Países de baixa renda contribuem com apenas 3% das emissões, mas sofrem impactos desproporcionais.
- Cenários futuros: Projeta como as emissões evoluiriam com base nas políticas atuais, sugerindo que, sem ações adicionais, o aquecimento global pode ultrapassar 3°C até o final do século.
- Soluções e recomendações: Identifica estratégias para reduzir emissões, como:
- Transição para energias renováveis (solar e eólica).
- Redução do desmatamento.
- Eficiência energética e eletrificação de setores como transporte.
Por que é importante?
- Alerta sobre a insuficiência das ações atuais
O relatório mostra que os compromissos e ações atuais estão longe de serem suficientes para evitar o aquecimento global catastrófico. Por exemplo, para limitar o aquecimento a 1,5°C, as emissões globais precisam cair 42% até 2030 e 57% até 2035, em relação aos níveis de 2019. - Guia para políticas climáticas
Ele fornece dados e recomendações detalhadas para que governos e organizações alinhem suas políticas climáticas com as metas globais. - Destaque na responsabilidade do G20
Por concentrar a maior parte das emissões históricas e atuais, o G20 é identificado como o principal ator global para liderar cortes significativos e implementar ações ambiciosas. - Impactos para o desenvolvimento sustentável
Além de abordar emissões, o relatório destaca a importância de uma transição justa, garantindo que ações climáticas considerem equidade social e apoio a países em desenvolvimento.
Como o relatório contribui para o Acordo de Paris?
O Acordo de Paris, firmado em 2015, visa limitar o aumento da temperatura global a bem abaixo de 2°C, com esforços para mantê-lo em 1,5°C. O Emissions Gap Report atua como uma espécie de “relógio climático”, avaliando o progresso das nações em relação a esse objetivo. Ele também orienta a revisão das NDCs, essencial para que os países melhorem continuamente suas metas de redução de emissões.
O Emissions Gap Report 2024 é mais do que uma análise técnica; é um alerta global. Ele evidencia a urgência de ações climáticas e destaca as oportunidades para evitar impactos irreversíveis. Seus dados e projeções são fundamentais para mobilizar governos, empresas e sociedade civil na busca por soluções que assegurem um futuro sustentável para o planeta.