De acordo com estudo do MapBiomas, o Pantanal é o lugar onde a água sumiu mais rápido, com uma perda de 61% em comparação com a média histórica. Em 2024, a quantidade de água continuou diminuindo, seguindo a mesma tendência de 2023 e dos anos anteriores.
Além disso, o estudo revela que de 2009 até 2024, só um ano teve mais água do que a média histórica, que começou a ser medida em 1985.
A quantidade de água tem diminuído muito nos últimos dez anos: 8 dos 10 anos mais secos aconteceram nesse período. A quantidade de água em todo o Brasil em 2024 era 2% menor do que em 2023 e 4% menor do que a média desde 1985, quando o MapBiomas começou a fazer essas medições.
Essa diminuição da água acontece desde 2009. De 2009 a 2024, só um ano teve mais água: 2022. Os últimos dez anos tiveram 8 dos 10 anos mais secos da história. Esses dados fazem parte de um novo conjunto de mapas e informações sobre a quantidade de água no Brasil, feito pelo MapBiomas e divulgado recentemente. Juliano Schirmbeck, coordenador técnico do MapBiomas Água, explica: “A forma como usamos a terra no Brasil e os eventos climáticos extremos, causados pelo aquecimento global, estão deixando o Brasil mais seco”, e completa: “Esses dados nos mostram que precisamos criar formas de cuidar da água e políticas públicas para mudar essa situação”.
A situação de MT
Mato Grosso, um estado muito importante para o Brasil, enfrenta desafios cruciais em relação à quantidade de água disponível. Para entender melhor o que está acontecendo, vamos analisar os dados obtidos pela redação no site do Map Biomas.
A Curva da Permanência: Onde a Água Desaparece
O gráfico abaixo, baseado em dados do MapBiomas, obtidos com exclusividade pela redação do LupaMT, mostra a “curva de permanência”. Imagine que essa curva é como um mapa que nos diz com que frequência diferentes quantidades de água são encontradas no estado.
Mas essa quantidade máxima não é o que acontece sempre. Os dados mostram que em 35% do tempo analisado, a quantidade de água já tinha diminuído para 900.000 hectares. Isso significa que Mato Grosso perdeu água suficiente para cobrir 500.000 campos de futebol!
E a água continua a diminuir. O gráfico indica que em 97% do tempo, a quantidade de água fica em torno de 500.000 hectares. Ou seja, na maior parte do tempo, Mato Grosso tem menos da metade da água que poderia ter.
A forma da curva também nos dá pistas. No começo, ela desce rápido, mostrando que a água sumiu de repente. Depois, ela desce mais devagar, indicando que a perda continua, mas não tão rápido quanto antes. É como se a água estivesse escorrendo por um ralo, primeiro com força, depois em um fiozinho.
A variação da água ao longo do ano: o pulso da natureza

Normalmente, a quantidade de água aumenta no começo do ano, por causa das chuvas. É como encher um copo com água; o nível sobe. O pico é por volta de abril. Depois, a água começa a diminuir, como se o copo estivesse esvaziando devagarzinho. Os níveis mais baixos são no final do ano. É o pulso da natureza, ditado pelas estações.
Mas em 2024, a quantidade de água ficou quase sempre abaixo do normal. É como se o copo nunca tivesse enchido direito, como se o pulso da natureza estivesse fraco.
A partir de agosto, a quantidade de água diminuiu ainda mais, chegando ao nível mais baixo em novembro. Para ter uma ideia do quanto de água é isso, pensa em um monte de piscinas olímpicas. A quantidade de água que sumiu daria para encher muitas e muitas piscinas!. É uma perda gigantesca, um sinal de alerta.
As outras linhas azuis no gráfico mostram que a quantidade de água muda de um ano para o outro. Mas a linha de 2024 é diferente, porque ela fica quase sempre abaixo do normal, mostrando que esse ano foi mais seco que a média.
O Pantanal em crise
Superfície de Água em Queda: Em 2024, a quantidade de água no Pantanal foi de 365.678 hectares, isso representa uma perda de 61% em comparação com a média histórica.
Durante o ano de 2024, a quantidade de água no Pantanal se aproximou dos menores valores já registrados nos últimos 40 anos. É como se o Pantanal estivesse murchando, perdendo sua vitalidade.
Comparativo Dramático: Se compararmos com outros anos, 2024 teve 4% menos água do que 2023 e 12% menos água do que 2021, que foi o ano mais seco desde 1985.
Em 2024, a seca foi 52% pior do que a última vez que teve cheia, em 2018. É como comparar um oásis com um deserto, a diferença é gritante.
Incêndios Devastadores: A falta de água por mais tempo deixa o Pantanal mais propenso a ter incêndios, que destroem a vegetação e matam os animais. 2024 foi o terceiro ano com mais queimadas nos últimos 40 anos, uma triste marca. É como se uma chama implacável estivesse consumindo o Pantanal, deixando um rastro de destruição.
Para comparar, em 1999 foram 2,7 milhões de hectares queimados, em 2020 foram 2,5 milhões de hectares e em 2024 foram 2,2 milhões de hectares, que seriam aproximadamente equivalentes à área de mais de 2,8 milhões de campos de futebol!
Ranking da água
O ranking da superfície de água nos municípios de Mato Grosso
revela um contraste marcante entre os municípios com maior e menor disponibilidade hídrica, o que tem implicações significativas para a gestão dos recursos hídricos e o desenvolvimento regional.
Os 5 Primeiros Colocados:
Os 5 municípios com maior superfície de água são:
- Cáceres (252.303 ha)
- Poconé (100.898 ha)
- Cocalinho (30.377 ha)
- Barão de Melgaço (27.181 ha)
- Apiacás (26.187 ha)
Esses municípios se destacam por suas extensas áreas alagadas, que podem ser resultado da presença de grandes rios, áreas de Pantanal ou outros corpos d’água significativos. A abundância de água nesses municípios pode favorecer atividades como a pesca, o turismo e a navegação, mas também exige uma gestão cuidadosa para evitar o uso excessivo e a poluição.
Os 5 Últimos Colocados:
Os 5 municípios com menor superfície de água são:
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Araguainha (133 ha)
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Serra Nova Dourada (118 ha)
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São Pedro da Cipa (93 ha)
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Rio Branco (78 ha)
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Reserva do Cabaçal (64 ha)
Esses municípios apresentam áreas de superfície de água muito pequenas, o que pode torná-los mais vulneráveis à seca e à escassez hídrica. A falta de água pode limitar o desenvolvimento de atividades econômicas e afetar o abastecimento para a população, exigindo a implementação de medidas de conservação e uso eficiente da água.
Implicações para as Autoridades:
A comparação entre os extremos do ranking evidencia a necessidade de uma abordagem diferenciada na gestão dos recursos hídricos em Mato Grosso. Enquanto os municípios com maior disponibilidade de água precisam de políticas para garantir o uso sustentável e evitar a degradação, os municípios com menor disponibilidade necessitam de ações para garantir o acesso à água e mitigar os efeitos da seca.
As autoridades devem considerar a implementação de planos de gestão integrada de recursos hídricos, que levem em conta as particularidades de cada município e promovam a cooperação entre eles. Além disso, é fundamental investir em monitoramento, fiscalização e educação ambiental para garantir a disponibilidade de água para as presentes e futuras gerações.
Veja o ranking completo: