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Estudo da Embrapa alerta: clima extremo e dieta pobre ameaçam futuro das hortaliças no Brasil

Estudo da Embrapa revela que o baixo consumo de hortaliças e as mudanças climáticas ameaçam a cadeia produtiva no Brasil. A adoção da Agenda 2030 e de práticas regenerativas surge como solução vital.

Setor movimenta bilhões e sustenta 13 milhões de empregos, mas enfrenta queda drástica no consumo e vulnerabilidade climática; Agenda 2030 surge como mapa de sobrevivência.

O cenário nas feiras e supermercados brasileiros esconde uma contradição alarmante. Enquanto o Brasil se consolida como um gigante na produção de alimentos, o prato da população empobrece nutricionalmente a cada ano. Um novo estudo da Embrapa Hortaliças lança luz sobre esse paradoxo e aponta caminhos urgentes para evitar um colapso no abastecimento.

A cadeia produtiva de hortaliças possui uma importância socioeconômica inegável para o país. Estima-se que o setor gere cerca de 13 milhões de empregos, envolvendo 3,3 milhões de produtores. No entanto, essa força de trabalho, composta majoritariamente por agricultores familiares, enfrenta uma tempestade perfeita: a mudança nos hábitos alimentares e a emergência climática.

O abismo no prato

A desconexão entre o campo e a mesa nunca foi tão grande. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo diário de 400 gramas de frutas e hortaliças por pessoa para garantir uma vida saudável. O brasileiro, contudo, passa longe dessa meta.

Dados analisados pelos pesquisadores mostram que o consumo per capita no Brasil caiu de 42,7 gramas por dia (2008-2009) para preocupantes 37,4 gramas entre 2017 e 2018. Isso representa menos de 10% do ideal estipulado pelas autoridades globais de saúde.

Essa realidade cria um cenário de “fome oculta”. A população, especialmente a de baixa renda, consome poucos nutrientes essenciais, como cálcio, ferro e vitaminas, abundantes nesses alimentos. Além da questão econômica, fatores culturais e o avanço dos ultraprocessados agravam o quadro.

Alerta vermelho no clima

Enquanto a demanda interna enfraquece, a produção enfrenta seu maior inimigo a céu aberto: o clima. A agricultura é refém das condições meteorológicas, e os dados recentes são assustadores. O ano de 2024 foi o primeiro a ultrapassar a meta crítica de 1,5°C de aquecimento global estabelecida pelo Acordo de Paris.

As consequências já são sentidas na pele e na terra. Ondas de calor extremas devem se tornar 9,4 vezes mais frequentes caso a temperatura global suba acima de 4°C. Para o produtor de alface ou tomate, isso significa mais pragas, maior necessidade de irrigação e perda de fertilidade do solo.

Esses eventos extremos, como secas prolongadas ou chuvas torrenciais, desorganizam a logística e aumentam as perdas pós-colheita. O resultado final é previsível e doloroso: menos comida disponível e preços mais altos para o consumidor final.

A resistência é sustentável

Diante desse cenário desafiador, o estudo propõe uma virada de chave baseada na Agenda 2030 da ONU. A adesão aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) não é apenas uma burocracia internacional, mas uma estratégia de sobrevivência econômica e ambiental.

Atualmente, o setor ainda opera de forma convencional. Pesquisas indicam que mais de 90% da área plantada com alface no Brasil, por exemplo, utiliza sistemas tradicionais, com uso intensivo de insumos químicos. A transição para práticas regenerativas, como o plantio direto de hortaliças e o uso de bioinsumos, torna-se, portanto, urgente para garantir a resiliência das lavouras.

Além disso, a inovação tecnológica precisa chegar ao pequeno produtor. O uso de internet das coisas (IoT) e inteligência artificial no campo ainda são lacunas que precisam ser preenchidas para modernizar a produção.

Cidades que alimentam

Uma das soluções mais promissoras apontadas pelo estudo está mais perto do que se imagina: a agricultura urbana e periurbana. O Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana (PNAUP), instituído em 2023, incentiva o cultivo de alimentos dentro e ao redor das cidades.

Essas áreas verdes funcionam como “soluções baseadas na natureza”. Elas ajudam a reduzir o calor nas cidades, aumentam a infiltração de água no solo e encurtam a distância entre quem planta e quem come. O cultivo local gera renda, promove inclusão social e garante alimentos frescos com menor pegada de carbono.

A conclusão dos especialistas é clara. Embora a Agenda 2030 apresente desafios complexos, ela oferece as ferramentas necessárias para transformar o setor. A sobrevivência das hortaliças no Brasil — e a saúde da população — depende de tornarmos a produção mais resiliente, inclusiva e conectada com os limites do planeta.

RAIO-X DO SETOR

  • Força Econômica: O Valor Bruto da Produção apenas de batata, tomate e cebola atinge R$ 30,7 bilhões.

  • Agricultura Familiar: Responsável por 64,4% da produção de alface e 70,8% do pimentão no país.

  • Desperdício: As perdas pós-colheita variam entre 5% e 35%, representando um prejuízo bilionário.

  • Dependência: Cerca de 80% dos sistemas produtivos dependem de irrigação e eletricidade.

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