O desaparecimento completo do gelo marinho no Ártico durante o verão pode ocorrer antes do final desta década, de acordo com novos estudos baseados nos modelos climáticos avançados do CMIP6. Este cenário alarmante, que envolve áreas de gelo inferiores a 1 milhão de km², destaca os impactos crescentes das mudanças climáticas. Além disso, a ausência de gelo no Ártico representa um marco simbólico que afeta o equilíbrio climático global e ameaça ecossistemas inteiros. Neste texto, exploraremos as implicações dessa transformação e a importância da ação climática.
Modelos apontam para a aceleração do degelo
Pesquisas lideradas por Céline Heuzé e Alexandra Jahn analisaram 366 simulações de 11 modelos climáticos. Com base nesses estudos, prevê-se que, em cenários de emissões moderadas, como o SSP1-2.6, o primeiro dia sem gelo no Ártico pode ocorrer dentro de três anos. Entretanto, outros modelos sugerem um prazo mais longo, variando entre seis anos ou até mesmo após 2050, dependendo dos níveis de emissões e da variabilidade climática interna.
Esses resultados mostram que o Ártico está sujeito a mudanças rápidas, especialmente quando eventos extremos, como aquecimentos intensos no inverno e primavera, combinam-se com verões instáveis. Consequentemente, esses fatores aceleram a degradação do gelo marinho, destacando a vulnerabilidade dessa região. O estudo fou publicado na revista científica “Nature Communications” nesta terça-feira (03).
Leia também: O que são as mudanças climáticas?
Consequências climáticas e ecológicas
A perda do gelo no Ártico provoca uma série de efeitos negativos. Em primeiro lugar, o gelo funciona como um espelho natural que reflete a luz solar. Sem ele, superfícies mais escuras, como o oceano, absorvem mais calor, agravando o aquecimento global. Além disso, o degelo pode liberar grandes quantidades de gases de efeito estufa, como metano e dióxido de carbono, aprisionados no permafrost ártico.
Por outro lado, o derretimento do gelo também aumenta o nível do mar, ameaçando comunidades costeiras em todo o mundo. Ademais, ecossistemas locais, como os habitats de ursos-polares e focas, enfrentam riscos severos. Espécies invasoras podem se beneficiar, desestabilizando ainda mais a biodiversidade.
Leia também: Insumos biológicos buscam impulsionar sustentabilidade na soja brasileira
O Papel do Ártico no sistema climático
Além dos impactos regionais, o Ártico sem gelo pode alterar padrões climáticos globais. Por exemplo, mudanças nas correntes oceânicas podem intensificar eventos extremos, como secas em algumas regiões e inundações em outras. Portanto, proteger o Ártico é essencial para manter a estabilidade do sistema climático da Terra.
Embora o cenário de um Ártico sem gelo seja alarmante, ele também serve como um alerta para a urgência da ação climática. Felizmente, manter o aquecimento global abaixo de 1,5 °C, conforme estipulado no Acordo de Paris, ainda é uma meta alcançável. Assim, políticas efetivas de redução de emissões não apenas podem atrasar esse fenômeno, mas também reduzir os impactos associados, protegendo tanto o planeta quanto as futuras gerações.