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Resíduo de tomate vira biofertilizante e aumenta em até 163% a produtividade de lavouras

Estudo mexicano mostra que extrato aquoso feito a partir de galhos e folhas descartadas melhora o peso e o tamanho de frutos, apresentando-se como alternativa barata e ecológica aos insumos comerciais.

Estudo mexicano mostra que extrato aquoso feito a partir de galhos e folhas descartadas melhora o peso e o tamanho de frutos, apresentando-se como alternativa barata e ecológica aos insumos comerciais.

Uma pesquisa conduzida no México acende uma luz sobre o potencial dos resíduos agrícolas, transformando o que seria lixo em um recurso valioso para o campo. Cientistas da Universidade Autônoma do Estado de Hidalgo (UAEH) desenvolveram um biopreparado a partir de folhas e caules de tomateiro que, aplicado em lavouras de tomate-de-casca (Physalis ixocarpa), aumentou o rendimento das plantas em impressionantes 163%, um resultado estatisticamente similar ao obtido com um fertilizante comercial consagrado.

O estudo, publicado na edição especial de 2025 do Boletín de Ciencias Agropecuarias del ICAP, oferece uma solução de baixo custo que se alinha diretamente aos princípios da economia circular e da agricultura regenerativa. A equipe de pesquisadores, liderada por Félix Antonio Tapia-Zayago, avaliou como um simples extrato aquoso, feito de partes da planta de tomate que são normalmente podadas e descartadas, poderia influenciar o desenvolvimento de outra cultura hortícola importante. E os resultados foram, no mínimo, promissores.

 

O campo como laboratório

 

O experimento foi meticulosamente desenhado em uma parcela de 100 m² no Instituto de Ciências Agropecuárias, em Tulancingo de Bravo. Os pesquisadores dividiram a plantação em três grupos distintos para uma comparação justa: o primeiro recebeu apenas água (o grupo de controle); o segundo foi tratado com um fertilizante foliar comercial; e o terceiro, a estrela do estudo, recebeu o extrato vegetal de resíduos de tomate.

Para produzir o biopreparado, a equipe coletou os “chupões” — brotos que são podados para otimizar o crescimento da planta principal — de tomateiros saudáveis. Essas folhas e talos foram desidratados, triturados até virarem um pó fino e, em seguida, misturados em água, onde repousaram por 24 horas. Após a filtragem, o líquido foi concentrado, resultando em um extrato rico em fitoquímicos, como hormônios vegetais e compostos fenólicos. Semanalmente, durante 12 semanas, as soluções foram borrifadas sobre as folhas das plantas.

 

Mais peso, menos química

 

Ao final de 90 dias, os cientistas mediram os resultados. E foi nos frutos que a mágica aconteceu. Embora a altura das plantas e o número de frutos por pé não tenham mostrado diferenças significativas entre os tratamentos, o peso e o tamanho dos tomates-de-casca contaram outra história. O extrato de resíduo de tomate aumentou o peso dos frutos em 40% em comparação com as plantas que só receberam água. O fertilizante comercial, por sua vez, conseguiu um aumento de 25%.

Essa diferença sugere que os compostos bioativos presentes no extrato, como auxinas e citocininas, atuaram diretamente na expansão celular dos frutos, tornando-os maiores e mais pesados. O rendimento final por planta confirmou a eficácia da abordagem ecológica: o biopreparado elevou a produtividade em 163%, enquanto o fertilizante comercial alcançou 171%, uma diferença considerada estatisticamente irrelevante entre os dois. Ou seja, uma solução feita de “lixo” agrícola se mostrou tão potente quanto um produto industrializado.

Curiosamente, o extrato não apenas competiu com o fertilizante, mas o superou em alguns aspectos. Enquanto o produto comercial chegou a diminuir o diâmetro do caule das plantas em 45% , o biopreparado manteve a estrutura do caule similar à das plantas de controle, sugerindo um crescimento mais equilibrado e uma melhor alocação de recursos para a produção de frutos.

 

O futuro é circular

 

Para além dos números, a pesquisa carrega uma mensagem poderosa. Em um mundo que produz anualmente 189 milhões de toneladas de tomate , das quais cerca de oito milhões se tornam resíduo vegetal, encontrar um uso para esse subproduto é um passo gigante. A revalorização desses descartes como insumos agrícolas não só reduz o lixo, mas diminui a dependência de fertilizantes químicos, que frequentemente degradam o solo e contaminam lençóis freáticos.

Como destacam os autores, essa estratégia agroecológica fortalece a soberania tecnológica dos pequenos produtores, que podem fabricar seus próprios insumos a um custo muito baixo, melhorando a rentabilidade sem agredir o meio ambiente. É a ciência validando uma prática que une inovação, sustentabilidade e justiça social no campo.


Para entender melhor:

  • Biopreparado: Substância de origem vegetal, animal ou mineral usada na agricultura para proteger ou melhorar as plantações de forma natural.
  • Fitoquímicos: Compostos bioativos produzidos pelas plantas, como hormônios (fitormônios), fenóis e flavonoides, que regulam processos como crescimento e defesa.
  • Unidades SPAD: Medida indireta do conteúdo de clorofila nas folhas, obtida com um medidor portátil que avalia a transmitância de luz. Um valor mais alto geralmente indica maior atividade fotossintética.
  • Auxinas e Citocininas: Grupos de hormônios vegetais cruciais para a divisão e o alongamento celular, processos fundamentais para o crescimento de raízes, caules e, especialmente, frutos.
  • Agroecologia: Abordagem da agricultura que integra princípios ecológicos e sociais. Busca criar sistemas agrícolas sustentáveis, resilientes e socialmente justos, valorizando o conhecimento local e reduzindo a dependência de insumos externos.

Fonte: Agroecological use of tomato residues as a biopreparation in husk tomato cultivation
Félix Antonio Tapia-Zayagoa, María Fernanda Cenobio-Galindoa, Juan Ocampo-Lópeza, EliazarAquino-Torresa, Rene elázquez-Jiménezb, Iridiam Hernández-Sotoa.

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