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Uso inadequado de agrotóxicos adoece trabalhadores rurais no Brasil

Estudo alerta que a exposição contínua e sem proteção a agrotóxicos tem causado de intoxicações agudas a câncer em trabalhadores rurais. O documento destaca a falta de treinamento e aponta a agroecologia como alternativa segura para o campo.
impactos dos agrotóxicos na saúde

Falta de equipamentos de proteção e de treinamento transforma o controle de pragas nas lavouras em um grave problema de saúde pública para as famílias do campo.

A exposição contínua e sem proteção a agrotóxicos nas lavouras brasileiras está causando o adoecimento de milhares de trabalhadores rurais. Sem acesso a equipamentos básicos de segurança ou ensino correto sobre o manuseio, os agricultores enfrentam desde fortes dores no corpo até doenças muito graves, como o câncer.

O cenário afeta diretamente quem trabalha na linha de frente para colocar comida na mesa da população. Essa contaminação química prejudica a capacidade de trabalho das famílias e destrói a qualidade de vida nas comunidades agrícolas. Os dados fazem parte de um estudo* de revisão publicado por pesquisadoras da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O perigo no campo se tornou ainda maior na última década. O documento ressalta que o Brasil se transformou, a partir de 2008, no maior consumidor de agrotóxicos do mundo, mesmo sem ser o líder mundial na produção agrícola. “O uso intensivo e inadequado de agrotóxicos representa um sério problema de saúde pública, envenenando a população brasileira devido à ausência de políticas eficazes de conscientização, especialmente para a agricultura camponesa”, alerta o levantamento.

O peso do veneno no corpo

O veneno agrícola entra no corpo humano de três formas principais: pela respiração, pelo contato direto com a pele e, em menor quantidade, pela boca (ingestão). O estudo aponta que os impactos na saúde se dividem em dois grupos: os rápidos (agudos) e os lentos (crônicos).

Logo após o contato com o veneno, o trabalhador pode sentir fraqueza, cólicas na barriga, vômitos, tontura, dor de cabeça, falta de ar e até sofrer desmaios e convulsões.

Já o perigo silencioso vem com o tempo. A exposição prolongada a essas substâncias químicas, mesmo em pequenas quantidades, pode levar ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer (como leucemia), problemas mentais como a depressão, asma, alergias fortes e danos ao sistema de reprodução humana. “A falta de equipamentos de proteção individual (EPIs) e a ausência de treinamento adequado para o manuseio desses produtos agravam ainda mais a situação”, aponta a pesquisa.

Falta de proteção e regras ignoradas

Os mais ameaçados nas fazendas e sítios são os aplicadores diretos do veneno e os trabalhadores que fazem a capina e a colheita. Muitas vezes, o tempo de segurança exigido no rótulo do produto antes que uma pessoa possa voltar a entrar na roça tratada não é respeitado.

As leis brasileiras tentam proteger o trabalhador. A Norma Regulamentadora 31 (NR 31), por exemplo, obriga o dono da terra a afastar mulheres grávidas ou que estejam amamentando de qualquer atividade perto de produtos químicos. A mesma regra diz que qualquer pessoa com sinais de intoxicação deve ser afastada na mesma hora e levada ao médico, levando junto a bula do veneno para que o doutor saiba como tratar. No entanto, a falta de conhecimento dos próprios agricultores sobre esses direitos dificulta a prevenção.

Como se proteger – Segundo as pesquisadoras, a saúde do produtor rural pode ser blindada com medidas conjuntas: * Uso obrigatório e correto de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual). * Afastamento imediato em caso de sintomas. * Boa alimentação, exercícios físicos e momentos de lazer para fortalecer o corpo e a mente.

Alternativas para um campo limpo

A saída apontada pelos especialistas para frear as doenças é a mudança na forma de plantar. Em vez de depender totalmente de produtos químicos, a transição para métodos mais naturais é urgente.

O estudo destaca que “a agricultura familiar, baseada em técnicas agroecológicas, é uma alternativa sustentável à ‘agricultura do veneno'”. Essa prática mistura os saberes antigos dos camponeses com a ciência moderna, criando formas de combater pragas usando controle biológico (usar a própria natureza a favor do plantio) e adubos orgânicos, preservando a terra, a água e a saúde de quem planta e de quem come.

Para que isso vire realidade, o documento conclui que o país precisa de leis mais rígidas sobre a venda desses venenos e de programas práticos que ensinem a população rural a trabalhar com segurança e a buscar alternativas menos agressivas à vida.

*SAÚDE DO TRABALHADOR RURAL: IMPACTOS DE ENFRENTAMENTO RELACIONADOS AO USO DE AGROTÓXICOS RURAL WORKER HEALTH: IMPACTS RELATED TO THE USE OF PESTICIDES – Joélia Resende Pereira da Silva e Anubes Pereira de Castro.

-A imagem que ilustra esta matéria foi feita utilizando IA.

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