Estudo do IECS revela que vício consome 1,36% do PIB nacional e mata 486 pessoas diariamente no país.
O Brasil enfrenta um rombo bilionário provocado pelo tabagismo. Enquanto a arrecadação de impostos federais sobre cigarros soma R$ 8,3 bilhões, os prejuízos anuais atingem R$ 160 bilhões. A conta, que recai sobre o sistema de saúde e a produtividade, evidencia que o tributo cobre apenas 5,2% dos danos causados.
O abismo entre arrecadação e custo hospitalar
A economia brasileira sofre uma sangria silenciosa e persistente devido ao consumo de tabaco. Conforme os dados consolidados em julho de 2025 pelo Instituto de Efectividad Clínica y Sanitaria (IECS), o fumo drena 1,36% do Produto Interno Bruto (PIB) todos os anos. Por um lado, o governo arrecada com tributos. Por outro, gasta R$ 75 bilhões apenas em custos médicos diretos.
Este valor representa 7% de todo o investimento em saúde feito no país. Além disso, a perda de produtividade por morte prematura ou incapacidade retira outros R$ 43 bilhões da economia. Somam-se a isso os R$ 42 bilhões gastos com cuidadores informais, que são familiares dedicados ao suporte de pacientes debilitados pelo vício.
Uma rotina de luto e adoecimento
A tragédia humana é mensurada em números que assustam qualquer gestor público. O tabagismo mata 486 pessoas por dia no Brasil. Isso significa que 11,3% de todos os óbitos nacionais ocorrem devido a complicações causadas pelo cigarro. No total, são 177.228 mortes anuais que poderiam ser evitadas com políticas mais rígidas de controle.
As doenças respiratórias lideram as causas de morte, com destaque para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que vitima 42.727 brasileiros anualmente. Entretanto, o impacto silencioso do Diabetes Tipo 2 também impressiona. Atualmente, existem 930.143 casos da doença atribuíveis ao consumo de tabaco no país.
Para entender melhor: O impacto por patologia
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DPOC: 441.523 casos prevalentes por ano.
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Câncer de Pulmão: 35.076 novos diagnósticos anuais.
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Infartos e Cardíacas: 119.733 novos casos registrados todos os anos.
- AVC: 39.934 brasileiros sofrem derrames devido ao fumo anualmente.
Apesar do cenário sombrio, o estudo do IECS oferece um horizonte de solução baseado em modelos matemáticos de microsimulação. Se o país reduzir o consumo de cigarros em 30% nos próximos dez anos, os ganhos seriam extraordinários tanto na saúde quanto no cofre público. Consequentemente, 139.154 mortes seriam evitadas nesse período.
A economia gerada atingiria R$ 171,1 bilhões. Desse montante, R$ 71,2 bilhões viriam de gastos diretos com saúde que deixariam de existir. Além disso, a preservação da produtividade e a redução de gastos com cuidadores informais somariam mais de R$ 79 bilhões em benefícios.
O aumento do preço por meio de impostos é apontado pelos pesquisadores como a ferramenta mais eficaz para atingir essas metas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), esta é a medida de maior custo-benefício para governos que buscam equidade e sustentabilidade. Afinal, sem uma mudança estrutural na tributação, a sociedade continuará pagando por uma conta que o setor de tabaco não cobre nem em um décimo de sua totalidade.
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