Especialistas defendem a proteção imediata de terras públicas, apoio aos pequenos agricultores e a criação de um fundo financeiro para substituir o dinheiro do petróleo na região.
Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) apresentaram um plano estruturado em quatro estratégias principais para combater a destruição da floresta amazônica e, ao mesmo tempo, melhorar a vida das pessoas que moram na região. O documento, assinado pelos especialistas Paulo Moutinho e André Guimarães, argumenta que o antigo modelo baseado na “exploração predatória dos recursos naturais” deve ser substituído por uma economia que una preservação, justiça social e desenvolvimento econômico.
O bioma amazônico funciona como um enorme ar-condicionado para todo o planeta. Suas matas guardam cerca de 100 bilhões de toneladas de carbono — o que equivale a dez anos de toda a poluição emitida no mundo. A destruição desse ambiente agravaria o aquecimento global de forma drástica e prejudicaria as chuvas que sustentam a agricultura em grande parte da América do Sul.
Para evitar esse cenário, os autores detalharam as seguintes saídas práticas:
O perigo das terras sem dono
A primeira medida é garantir a proteção imediata de cerca de 50 milhões de hectares de florestas públicas que ainda não têm um uso definido pelo governo. Por não pertencerem oficialmente a parques ou reservas, essas áreas ficam abandonadas e vulneráveis à ação de grileiros de terras, invasores e garimpeiros ilegais.
Hoje, cerca de 30% de todo o desmatamento na região amazônica acontece justamente nessas florestas sem destinação. O estudo afirma que transformar essas áreas em parques, territórios indígenas ou reservas extrativistas pode assegurar a proteção da natureza e, ao mesmo tempo, criar empregos através do turismo ecológico e do uso cuidadoso de produtos da floresta.
Mais apoio para as famílias agricultoras
A segunda estratégia olha diretamente para as famílias mais humildes que vivem e trabalham no campo. Pequenos produtores rurais ocupam hoje áreas imensas em assentamentos oficiais, mas sofrem com a falta de ajuda técnica, falta de tecnologia e ameaças de invasores. Apesar dessas dificuldades, são eles os responsáveis por grande parte da comida que chega diariamente à mesa dos brasileiros.
O documento sugere que o governo leve assistência e empréstimos justos (crédito rural) para essas famílias. Com o conhecimento e os equipamentos certos, os pequenos agricultores conseguem produzir mais no mesmo espaço de terra, sem precisar derrubar nenhuma árvore nova. Um estudo no estado do Pará provou que, com o apoio correto, a renda das famílias mais do que dobrou, enquanto o desmatamento caiu cerca de 70% nos assentamentos.
Tecnologia nas grandes fazendas
O terceiro ponto foca nas médias e grandes propriedades rurais. O agronegócio é responsável por cerca de 25% de toda a riqueza produzida no Brasil, mas a busca constante por novas áreas para plantar grãos ou criar gado tem gerado grandes impactos ambientais e conflitos sociais.
Os pesquisadores sugerem que o Brasil invista para aumentar a produtividade das terras que já foram desmatadas. Para isso, seria necessário mudar a forma como o governo empresta dinheiro aos fazendeiros. A proposta é transferir recursos do tradicional “Plano Safra” (que não exige cuidados ambientais) para programas de agricultura verde, que respeitam a natureza e reduzem a poluição.
Substituir o petróleo por ‘royalties verdes’
A quarta e última estratégia ataca um dos temas mais polêmicos do mundo: a dependência dos combustíveis fósseis. Com o atual debate sobre a perfuração de novos poços de petróleo próximos à foz do Rio Amazonas, os autores alertam que a expansão dessa atividade pode ser uma sentença de morte para a agricultura e o clima no Brasil.
A solução proposta é a criação dos chamados “royalties verdes”. A ideia é formar um grande fundo financeiro, abastecido com dinheiro de vários países, destinado a proteger a floresta. Esse fundo faria pagamentos aos estados e municípios da Amazônia com valores iguais aos que eles ganhariam se extraíssem o petróleo, mas recompensando a preservação no lugar da destruição.
Próximos passos
O estudo ressalta que colocar essas ações em prática depende de muita vontade política, alinhar as decisões do governo para garantir o bem-estar das pessoas na Amazônia e a estabilidade do clima global é apontado como o principal desafio das próximas gerações.
Transparência: a imagem que ilustra a matéria foi feita utilizando IA.
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