Iniciativa do PIBID na UFPA utiliza materiais simples como areia, carvão e brita para ensinar biologia e sustentabilidade a estudantes da rede pública.
Um experimento realizado em sala de aula demonstrou que é possível limpar água turva utilizando apenas lixo reciclável e elementos naturais encontrados no quintal. A atividade, desenvolvida por bolsistas da Universidade Federal do Pará (UFPA) no campus de Bragança, transformou uma turma do 1º ano do Ensino Médio de uma escola pública em um laboratório de saneamento básico.
O projeto foi articulado dentro do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) e buscou responder a uma questão urgente: como democratizar o acesso à água potável em uma região onde, paradoxalmente, a abundância de rios convive com a falta de tratamento adequado. Dados apresentados no estudo apontam que cerca de 32 milhões de brasileiros ainda carecem de acesso à água tratada.
A ciência das camadas
A oficina prática fugiu dos quadros negros tradicionais. Para construir o filtro caseiro, os estudantes utilizaram uma garrafa PET de dois litros cortada ao meio, funcionando como um funil. A “mágica” da filtração ocorreu através de um sistema de camadas, onde cada material desempenhou uma função específica de purificação:
-
Algodão e gaze: Posicionados na base, serviram como a primeira barreira física para reter os resíduos maiores.
-
Carvão vegetal: O material, triturado e lavado, foi utilizado para reduzir odores e absorver impurezas químicas da água.
-
Areia grossa: Responsável por segurar as partículas finas que ficam em suspensão.
-
Pedra brita e cascalho: A camada superior, que realizou a filtragem inicial dos sedimentos mais pesados.
O momento decisivo da aula ocorreu na demonstração prática. Segundo o relatório da atividade, a água turva foi despejada no topo do filtro improvisado. Ao atravessar as quatro camadas de materiais, o líquido chegou ao recipiente coletor “visivelmente mais clara”, materializando para os alunos conceitos abstratos de física e química.
Consciência ambiental e reutilização
Mais do que uma aula de biologia, a iniciativa abordou a crise hídrica e a Agenda 2030 da ONU, especificamente o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 6, que trata de água potável e saneamento.
A equipe responsável pelo projeto — formada pelos graduandos Dayra Ribeiro, Alana Oliveira e Fabrício Silva, sob supervisão das professoras Ana Paula Silva e Rosigleyse Corrêa-Felix — destacou que a atividade permitiu aos alunos refletir sobre a reutilização da chamada “água cinza” (água de reuso) para fins não potáveis, como irrigação e limpeza, reduzindo o desperdício.
Os estudantes produziram cartazes e resumos explicativos para socializar o conhecimento na escola, demonstrando que tecnologias simples e de baixo custo podem ser alternativas viáveis para comunidades ribeirinhas que sofrem com a poluição dos rios e a ausência de infraestrutura estatal.
Transparência: a imagem que ilustra esta matéria foi criada utilizando IA.
Leia também:
Brasil estagna com 36 pontos no índice de corrupção e fica abaixo da média global
Matupá: Câmara isenta de ponto comissionados com salário de R$ 9.2 e R$ 9.4 mil
Empresário é preso após disparos de arma de fogo em distribuidora de Cuiabá
Câmara de Alto Garças oficializa ‘bônus’ de R$ 1 mil para gastos com farmácia e academia











