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Crise climática impulsiona exploração de emoções e afeto pelo mercado, aponta estudo

O artigo “Capitaloceno e esquizofrenia: desejo, crise climática e neoliberalismo”, de Ádamo Bouças Escossia da Veiga (LECA, dez. de 2025), argumenta que a crise climática expõe o limite da expansão capitalista. Sem novas “naturezas baratas”, o texto descreve a aposta em mercados “verdes”, financeirização e na captura do desejo como nova frente de acumulação.
capitaloceno e crise climática

Com o esgotamento dos recursos naturais, o modelo econômico global transforma a vida psíquica e a intimidade na nova fronteira comercial do século 21.

O agravamento da crise climática mundial e o fim das chamadas “naturezas baratas” — como terras férteis e minérios de fácil acesso — obrigaram o mercado financeiro global a buscar uma nova área para explorar e manter seus lucros: a mente humana. Um artigo desenvolvido pelo pesquisador Ádamo Bouças Escossia da Veiga revela como a falta de novas fronteiras geográficas fez o sistema econômico avançar sobre o desejo, os sentimentos e a intimidade das pessoas.

A conclusão joga luz sobre os motivos pelos quais a era digital é marcada por índices alarmantes de ansiedade, superexposição em redes sociais e mercantilização da vida pessoal. Sem conseguir retirar matéria-prima de um planeta que dá sinais de colapso ecológico, a economia atual tenta privatizar as emoções, enfraquecendo as redes de solidariedade enquanto os grupos mais ricos se isolam dos efeitos das tragédias ambientais.

O avanço sobre a mente e o corpo

A pesquisa acadêmica traça um paralelo direto entre a devastação da Terra e a criação de uma fronteira econômica “subcutânea” (abaixo da pele). Segundo o documento, no atual modelo financeiro neoliberal, o cidadão comum é cobrado para enxergar a si mesmo como se fosse uma empresa, maximizando seu desempenho no trabalho, na rotina de lazer e até na vida sexual.

“…diante do esgotamento das fronteiras para a acumulação capitalista, o capitalismo se volta crescentemente para o desejo como fronteira a ser escavada na tentativa de uma nova rodada de acumulação primitiva”, afirma o pesquisador em um trecho do estudo.

Esse processo de controle ocorre por meio de táticas modernas que envolvem desde o uso abusivo de medicamentos (como estimulantes e antidepressivos) até o desenho dos algoritmos de internet. Nesses espaços virtuais, a capacidade de gerar excitação e atenção é rapidamente lida e convertida em capital. A regra atual cobra do indivíduo que o lazer sirva como mais uma ferramenta de ganho financeiro ou de imagem.

Fuga do mundo comum

Para explicar como a situação climática acelerou essa transformação do comportamento humano, o estudo analisa as reações das classes detentoras do dinheiro. Apoiado em teorias do filósofo Bruno Latour, o artigo aponta que os grupos de alta renda global perceberam através da ciência que o mundo não comporta mais o nível atual de extração de recursos para toda a população.

A reação encontrada não foi frear o consumo ou dividir perdas, mas negar o aquecimento do planeta e focar no enriquecimento rápido e egoísta para garantir o próprio isolamento. O texto destaca que “as elites se convenceram tão bem de que não haveria vida futura para todos que decidiram se livrar o mais rápido possível de todos os fardos da solidariedade”.

Soluções que viram mercadoria

O levantamento ressalta ainda que as tentativas do próprio mercado de tentar lucrar com a crise ambiental funcionam apenas como um paliativo despolitizado. O estudo cita, como exemplo, as empresas que oferecem ao consumidor a opção de pagar uma taxa extra para “neutralizar o carbono” da sua viagem ou o apelo excessivo do “consumo verde” individual.

Essas práticas não resolvem o aquecimento global de forma estrutural e funcionam apenas para transformar a ansiedade climática das pessoas em mais uma mercadoria nas prateleiras virtuais. O documento não apresenta posicionamento de empresas de tecnologia ou órgãos do mercado financeiro sobre as teses apontadas.

-CAPITALOCENO E ESQUIZOFRENIA: DESEJO, CRISE CLIMÁTICA E NEOLIBERALISMO-Ádamo Bouças Escossia da Veiga.

Transparência: A imagem que ilustra esta matéria foi feita utilizando ia.

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