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Estudo alerta: agrotóxico comum no campo extermina abelhas sem ferrão

Pesquisa da UEG alerta que o herbicida 2,4-D mata 100% das abelhas Jataí e Arapuá em 48 horas, contestando a segurança do produto para espécies nativas.
Agrotóxico extermina abelhas sem ferrão

Pesquisa da UEG comprova que o herbicida 2,4-D mata 100% das espécies Jataí e Arapuá em menos de 48 horas, causando colapso nervoso e motor.

O campo brasileiro utiliza largamente o ácido 2,4-diclorofenoxiacético, ou simplesmente 2,4-D, para limpar pastagens e lavouras. No entanto, essa ferramenta química cobra um preço invisível e alto da biodiversidade. Um estudo recente, conduzido na Universidade Estadual de Goiás (UEG), revela que esse herbicida age como uma sentença de morte rápida para abelhas nativas. A pesquisa, liderada pelo engenheiro agrônomo Matheus Carneiro Heinzelmann, demonstra que a exposição ao produto aniquila totalmente as populações de Jataí (Tetragonisca angustula) e Arapuá (Trigona spinipes)..

O cenário descrito no trabalho de conclusão de curso é alarmante. Sob orientação do professor Carlos de Melo e Silva Neto, os testes provaram que o veneno não deixa sobreviventes. Mesmo em doses reduzidas, a mortalidade atinge 100%. Para a espécie Arapuá, o fim chega em 24 horas. Já a resistente Jataí sucumbe em, no máximo, dois dias..

O sistema nervoso em curto-circuito

A morte dessas abelhas não ocorre de forma passiva. O pesquisador documentou um processo de agonia física, indicando danos neurológicos severos antes do óbito. O relato técnico descreve uma cena de caos fisiológico. “As abelhas em todos os grupos expostos ao 2,4-D exibiram comportamento desorientado, espasmos nas pernas e abdômen”, aponta o texto. O final é estático e trágico: “frequentemente eram encontradas imóveis, de cabeça para baixo ou de lado, antes da cessação de seus movimentos”..

Esse quadro de intoxicação desestrutura a vida social da colmeia antes mesmo de matar os indivíduos. Uma abelha intoxicada perde a capacidade de trabalhar e interagir. Isso afeta a “coesão e a eficiência da colônia, podendo levar ao seu declínio mesmo na ausência de mortalidade massiva”..

Para entender melhor: O custo biológico da desintoxicação

Por que elas morrem tão rápido? O estudo aponta para o estresse oxidativo. O corpo do inseto tenta desesperadamente expulsar o veneno, mas o esforço é excessivo. Segundo Heinzelmann, “o mecanismo de desintoxicação e combate ao estresse oxidativo é altamente custoso para o organismo”..

O gasto energético para tentar sobreviver drena as reservas necessárias para bater as asas ou mover as pernas. O processo acaba “promovendo uma alocação recursos de funções vitais e, assim, contribuindo para a letargia, paralisia e, finalmente, para a morte”.. Basicamente, a abelha gasta toda sua energia tentando limpar o sangue e entra em falência múltipla.

Um erro de padrão internacional

A pesquisa levanta uma crítica dura aos métodos atuais de aprovação de agrotóxicos. Hoje, os testes de segurança usam quase sempre a abelha europeia (Apis mellifera) como modelo. O problema é que as nossas abelhas nativas são biologicamente diferentes e muito mais sensíveis.

O autor é taxativo ao afirmar que “a utilização quase exclusiva de A. mellifera como padrão global de estudos toxicológicos em abelhas ignora as diferenças biológicas, metabólicas e comportamentais de outras abelhas”.. Ao ignorar essas particularidades, a legislação permite o uso de produtos que são seguros para a abelha europeia, mas letais para a fauna brasileira. “Os dados contrariam a classificação toxicológica padrão do 2,4-D e reforçam a necessidade de incluir espécies nativas neotropicais em protocolos de avaliação de risco de agrotóxicos”, conclui o estudo..

Impacto econômico e ambiental

Perder a Jataí e a Arapuá não é apenas um dano ecológico; é um tiro no pé da própria agricultura. Essas espécies são polinizadores de elite. A Arapuá visita flores de diversas culturas comerciais, garantindo a produção de frutos e sementes. Sem elas, a produtividade no campo tende a cair, exigindo ainda mais insumos químicos e criando um ciclo vicioso de degradação e prejuízo.

O que isso muda na sua vida?

Você pode não ser produtor rural, mas o desaparecimento dessas abelhas impacta diretamente o seu cotidiano:

A arapuá e a jataí são responsáveis por polinizar frutas e legumes que você compra, como maracujá, tomate e berinjela. Sem elas, a produção cai e o preço sobe na prateleira. A Jataí produz um mel com propriedades antibióticas únicas, usado há gerações para tratar problemas respiratórios e oculares. A extinção local dessa espécie significa perder um recurso medicinal da cultura brasileira. As abelhas são “bioindicadores”. Quando elas morrem em massa, é o primeiro sinal de que o ambiente (água e ar) está saturado de veneno que, eventualmente, pode afetar a saúde humana.

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Informação sobre uso de IA: a imagem que ilustra esta matéria foi feita utilizando IA.

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