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Agroecologia avança na América Latina como resposta à agricultura convencional

Pesquisa revela que Brasil lidera estudos sobre o tema, focando na biodiversidade e nos “serviços” que a natureza presta à produção de alimentos.

O modelo de agricultura focado apenas no lucro tem um custo alto. Na América Latina, ele devasta a vegetação nativa. A pecuária intensiva avança. O resultado é conhecido: perda de biodiversidade, degradação do solo e contaminação da água e do ar por agrotóxicos.

Mas um movimento oposto ganha força. A Agroecologia surge como uma solução científica e prática. Ela foca na manutenção dos chamados serviços ecossistêmicos.

O que são esses serviços? São os benefícios que a natureza oferece de graça. Coisas como o controle natural de pragas, a polinização feita por insetos, a fertilidade do solo e a regulação da água. A agricultura convencional, segundo os estudos, ignora essas funções em busca do rendimento máximo. A Agroecologia faz o contrário. Ela é uma ciência que integra ecologia, agronomia e até sociologia. O objetivo é criar agroecossistemas sustentáveis.

O mapa da ciência

Uma nova pesquisa, publicada na Revista Brasileira de Agroecologia, analisou a produção científica sobre o tema. As pesquisadoras Rebeka Aparecida Almeida dos Santos e Leandro Redin Vestena fizeram uma revisão sistemática. Elas analisaram 26 artigos principais indexados na base de dados Scopus.

O estudo confirma uma tendência. O interesse pelo tema está crescendo. E rápido.

O despertar pós-2019

A análise identificou três fases distintas. Até 2008, os estudos relacionados eram raros. De 2009 a 2018, surgiram as primeiras pesquisas. Mas foi a partir de 2019 que o número de publicações realmente acelerou.

Essa crescente atenção da comunidade científica não é à toa. Ela é impulsionada pela busca por sistemas agrícolas mais sustentáveis. A pressão das mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e a demanda exponencial por alimentos acenderam o alerta.

A Agroecologia, com seus princípios de uso consciente de recursos e redução de insumos nocivos, apresenta-se como uma alternativa promissora para enfrentar esses desafios.

Brasil na vanguarda

A distribuição geográfica das pesquisas surpreende. O Brasil é o líder absoluto nos estudos sobre agroecologia e serviços ecossistêmicos, totalizando 11 dos 26 artigos analisados. A Colômbia vem em seguida, com quatro. Argentina, El Salvador, México e Peru aparecem com dois cada.

O Brasil se destaca por vários motivos. O país tem centros de pesquisa fortes em Ciências Agrárias. Além disso, a agricultura familiar, que sustenta grande parte da produção de alimentos no país, já se subsidia, em muitos casos, nos princípios agroecológicos.

A imensa biodiversidade brasileira também é um fator crucial. As pesquisas focam em biomas como a Amazônia, a Mata Atlântica e o Cerrado. Nesses locais, é urgente conciliar a produção agrícola com a manutenção dos serviços ecossistêmicos. Os estudos brasileiros tratam de temas práticos, como controle biológico de pragas, sistemas agroflorestais, produção orgânica e o manejo agroecológico do solo pela agricultura familiar.

Conexão global

A pesquisa não é isolada. O estudo de Santos e Vestena (2024) identificou uma colaboração internacional significativa. Autores de outros países, inclusive dos Estados Unidos, também estudam os agroecossistemas presentes na região latino-americana. Isso enfatiza a importância do intercâmbio de conhecimentos.

Essa discussão está diretamente ligada à Agenda 2030 da ONU. Os artigos revisados se conectam fortemente a três Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS):

• ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável)

• ODS 15 (Vida Terrestre)

• ODS 17 (Parcerias e Meios de Implementação)

A conclusão da revisão é clara. O aumento de estudos reflete uma nova consciência. A Agroecologia não é só teoria. Ela resgata e preserva conhecimentos e práticas locais, muitas vezes mantidos por agricultores tradicionais e familiares. Ao promover a biodiversidade, esses sistemas sustentáveis garantem a manutenção dos serviços ecossistêmicos. Isso significa, na prática, mais segurança alimentar e melhor qualidade de vida.

Nota: O estudo original “A Agroecologia e os serviços ecossistêmicos no contexto latino-americano: uma revisão sistemática” foi publicado por Santos & Vestena na Revista Brasileira de Agroecologia, v. 19, n. 3, em 2024.

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